Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 08/01/2022

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa  os desafios relacionados aos novos hábitos alimentares e seus impactos na vida dos brasileiros, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Primordialmente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a má alimentação no Brasil. Nesse sentido, a globalização revolucionou os hábitos alimentares das pessoas que devido ao estilo de vida agitado optão por uma alimentação rápida e pouco nutritiva. Diante disso, é cada vez mais comum encontrar na rotina dos brasileiros a substituição do arroz e o feijão pelos alimentos industrializados como congelados, pré-cozidos e fast-food. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como  à alimentação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o uso em massa de agrotóxicos na produção de alimentos como impulsionador da má alimentação no país. Segundo  a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, do IBGE, o brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxico por ano. Desse modo, é possivel afirmar que os agrotóxicos desencadearam as novas doenças do século como obesidade, diabete, colesterol e pressão alta . Diante de tal exposto, o novo estilo de vida que se carecteriza pela troca de refeições completas por lanches rápidos, faz com que o número de problemas de saúde aumente decorrentes da má alimentação ou do consumo em excesso de produtos industrializados. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater todos os obstáculos que impedem a disseminação do direito à alimentação. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, invista em campanhas educacionais - promovendo a conscientização para uma alimentação saudável - a fim de incentivar a adoção de hábitos alimentares nutritivos. Assim, se consolidará uma sociedade mais informada, de modo que o Estado desempenhe corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.