Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 08/08/2022

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), preconizam que todo cidadão tem direito à alimentação. Entretanto, no Brasil, esse propósito não é efetivado, haja vista que os desafios para combater a insegurança alimentar são recorrentes. Isso posto, vale ressaltar a displicência estatal e a alienação social como agravantes dessa problemática.

Nesse sentido, é fato que a negligência governamental acarreta o aumento da fome. Sob essa ótica, Émile Durkheim, sociólogo francês, em sua obra “As Regras do Método Sociológico”, afirma que a sociedade busca manter seu equilíbrio e sua coesão por meio das instituições e das interações sociais. Contudo, há inobservância do Estado, tendo em vista que a população brasileira encontra-se em condição de extrema pobreza alimentar. Sob esse viés, torna-se clara a necessidade da democratização dos alimentos como meio para a obtenção do equilíbrio social.

Ademais, é nítido que a segregação populacional é consequência de uma alienação social prévia. Nesse contexto, cabe aludir ao pensamento da filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito de “banalidade do mal”, em que a autora busca identificar as razões da perpetuação da alienação populacional em face das problemáticas socias. Com efeito, a filósofa conclui que, no mundo hodierno, a sociedade possui caráter exclusório, o que possibilita a recorrência de questões como a insegurança alimentar. Com isso, os grupos que sofrem exclusão são cada vez mais marginalizados e segregados de seus direitos constitucionais.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para erradicar a fome no Brasil. Para tanto, cumpre ao Estado - órgão de maior importância- democratizar o acesso aos alimentos, através do envio gratuito de cestas de alimentos -para todos que comprovarem a falta de comestíveis no domicílio- com o intuito de efetivar todos os direitos estabelecidos pela Magna Carta. Além disso, compete à mídia fomentar campanhas de conscientização, com a finalidade de aniquilar a alienação. Dessa forma, viver-se-á em uma sociedade como a idealizada pela ONU.