Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 13/10/2022

O pensador recifense Jossué de Castro afirmou, em seu livro Geografia da Fome, que há duas categorias de pessoas, aquelas que não dormem porque têm fome e as outras que têm medo dos indivíduos com fome. Esse cenário escancara a desigualdade social na sociedade brasileira, uma vez que, o acesso regular, seguro e saudável de alimentos ainda é um desafio. Tal quadro, em suma, é originado pela omissão estatal, o que ocasiona o aumento da fome no Brasil.

Em primeiro plano, faz-se necessário explicitar que o descaso do Estado perante a questão da alimentação precária, de parte dos cidadãos, é um traço da necroplítica. Esta é uma teoria concebida pelo filósofo camaronês, Achile Mbemb, o qual alega que o Estado elege grupos sociais que devem sobreviver e ser protegidos e outros, que são deixados para morrer, sem qualquer amparo do poder público. Dessa forma, inexiste vontade governamental para fornecer mantimentos para a população pobre, haja vista que o país adotou a política de incentivo ao agronegócio de exportação, visto que este é responsável por alimentar cerca de um bilhão de pessoas no mundo, segundo o jornal Folha de São Paulo. Todavia, ainda em conformidade com esse periódico, há cerca de trinta e três milhoes de brasileiros sem alimentação digna. Assim, o Estado acolhe o capital do agronegócio e desdenha do povo pobre e com fome.

Por consequência, dessa política de “fazer viver e deixar morrer” a população brasileira encontra-se novamente com o desafio de vencer a falta de alimentação. Essa conjuntura, infelizmente, não é recente, visto que na década de 1960, a escritora Maria Carolina de Jesus, em seu livro Quarto de Despejo, afirmava: “o maior espetáculo do pobre é comer”. Ademais, por não ter o que comer

Portanto, são notórios os elementos que gera impasses à alimentação digna no Brasil. Para mitigar essa problemática, cabe ao Ministério da Cidadania combater a fome no país, por meio da intensificação de políticas públicas, como a priorização da agricultura familia defronte do agronegócio exportador. Isso pode ser realizado por intermédio de isenção fiscal para os pequenos agricultores, pois estes destinam a sua produção ao mercado local. Isto posto, teria a finalidade de reduzir a fome e redistribuir o capital do agronegócio.