Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 30/04/2020

Na obra “A hora da estrela”, de Clarice Linspector, narra a história de Macaeba, uma jovem alagoana que tinha sonhos e expectativas. Porém a sua dificuldade de autoconhecimento fazia com que ela não obtivesse êxito em seus almejos pessoais. Hodiernamente, essa ficção se assemelha com a vida cotidiana de muitos indivíduos, que tem a internet como fonte de informação, pois com a manipulação de dados na rede, parte dos usuários perdem o poder de escolha, ocasionado pela falta de conhecimento próprio. Nesse contexto, a falta de autoconhecimento na era digital é um desafio não só devido a exploração da privacidade cibernética, como também a negligência governamental.

Nesse cenário, as redes sociais, conhecedoras dos perfis de consumo e interesse de seus usuários, guiam os caminhos a serem percorridos por eles. Consoante, Zygmunt Bauman. em sua célebre citação: “as redes sociais são uma armadilha”, aborda o perigo que existe por trás as mídias sociais, uma vez que essas redes são responsáveis por orientar o consumo de produtos, conteúdos, além de sugerir amizades de acordo com a forma de acesso. Entretanto, esse direcionamento ocasiona tendência comportamental do usuário na rede, o que gera falta de diversidade de conteúdos, e por consequência a ausência de autoconhecimento, uma vez que é a própria rede social que orienta o que deve ser consumido, e não ao contrário.

Ademais, a Constituição Federal de 1988, garante a todos o direito a inviolabilidade da privacidade, todavia o Estado não garante efetiva esse direito. De acordo com Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que não existem mecanismos específicos para garantir a imparcialidade das redes sociais - para assegurar o direito de escolha, e assim, promover o autoconhecimento - fazendo os direitos permanecerem no papel.

Portanto, para mitigar o problema abordado, faz-se necessário que o Governo Federal - órgão máximo do poder executivo - elabore por meio de leis, artifícios que coíbam a manipulação de dados nas redes sociais, para evitar que pessoas sejam direcionadas a navegar por áreas não determinadas por elas e, consequentemente, tornando o indivíduo crítico e autoconsciente. Além disso,  responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecnologia, estabelecer um canal de comunicação mais efetiva com os internautas, por intermédio de aplicativos nas redes sociais, como Facebook, para que denúncias manipulação de dados sejam efetivadas, no intuito de beneficiar os internautas para coibir abusos nas redes. Como efeito social, o autoconhecimento das pessoas no Brasil será uma realidade, uma vez que as redes sociais não terão mais o poder de sugerir escolhas.