Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 30/04/2020

George Orwel, em sua célebre obra “1984”, descreve uma distopia na qual os meios de comunicação são controlados e manipulados para garantir a alienação da população frente a um governo totalitário. Entretanto, apesar de se tratar de uma ficção, a obra apresentada por Orwell reflete, em partes, à realidade do século XXI, uma vez que, a falta do autoconhecimento na era digital permite que os indivíduos sejam controlados inconscientemente, de acordo com seus próprios dados, seja por questões econômicas, seja pelo uso incorreto das tecnologias.

Em primeiro plano, destaca-se os interesses econômicos como um dos causadores do problema. Nesse sentido, segundo o sociólogo alemão Theodor Adorno, a chama “Indústria Cultural”, visando lucros, tende a massificar e uniformizar os gostos a partir do uso dos meios de comunicação. Sob esse viés, é possível depreender que a ausência do autoconhecimento permite a fácil influência do usuário, pois selecionando os produtos de gostos determinados, o utente tende a agir e consumir, colaborando com a massificação do consumismo e o próprio objetivo da “Indústria Cultural”, a obtenção de capital.

Outrossim, presencia-se o mau uso das tecnologias digitais como um dos impulsionadores do impasse. Por conseguinte, ao expor todos os dados pessoais nas redes de comunicação, detalhando gostos e emoções, o indivíduo fecha os olhos para seu conhecimento interior, permitindo que os algoritmos dos sistemas determine seus interesses. Paralelamente, o conselho de Socrátes, “conhece-te a ti mesmo é deixando de lado.

Portanto, é urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalham a importância do autoconhecimento pessoal, com objetivo de tornar o indivíduo mais crítico a respeito da alienação na era digital, sugerindo ao interlocutor que conheçam-se interiormente para que não sejam alvos fáceis de propagandas persuasivas. Somente assim, será possível garantir uma sociedade mais crítica e menos alienada.