Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 01/05/2020
O advento da Terceira Revolução Industrial provocou mudanças profundas nos meios de comunicação resultando no surgimento da internet na segunda metade do século XX. Todavia, essa nova tecnologia gerou uma alienação nos seus usuários, os quais passaram a ter seus seus padrões de consumo e comportamento ditados pelas mídias digitais. Dessa forma, torna-se necessária uma reflexão sobre o uso de sites e redes sociais populares para publicidade de produtos e serviços, assim como as consequências da falta de educação para o uso de mídias digitais.
Em primeiro plano, é notório que sites e redes sociais como Facebook, Instagram e Youtube transformaram-se em meios de comercialização de produtos e serviços diversos utilizando a imagem e popularidade de influenciadores digitais. Como exemplo, o youtuber Felipe Neto possui milhões de seguidores em seu canal, os quais, em sua maioria, são adolescentes que espelham hábitos e comportamentos desse influenciador digital. Nesse contexto, esses jovens são influenciados por alguém estranho à família e à escola, cujas intenções são, quase sempre, conseguir mais seguidores e aumentar os lucros com monetização de seus canais.
Outrossim, a ausência de educação para o uso de mídias digitais tem como consequência uma massa de consumidores que são “consumidos” pelo mercado de consumo. Mais especificamente, enquanto acham que estão realizando seus sonhos por meio de compras sugeridas por seus ídolos, eles estão, na verdade, sendo usados como massa de manobra por empresas as quais visam apenas o lucro. Conforme o educador Paulo freire, a educação muda as pessoas e essas, por sua vez, mudam o mundo. Sob esse viés, a persistente falta de investimento em educação para o uso consciente das mídias digitais reforça esse quadro de exploração da ignorância das pessoas sobre seus verdadeiros desejos e aspirações.
Portanto, o enfrentamento dos efeitos deletérios da falta de autoconhecimento na era digital requerem do Ministério da Educação (MEC), por meio de políticas públicas que modifiquem a matriz curricular dos ensinos médio e fundamental, a criação de novas disciplinas, tais como: comunicação nas redes sociais, sociologia digital e educação para o consumo digital. Os professores de filosofia, sociologia, geografia e língua portuguesa deverão receber treinamento do governo por meio de cursos de aperfeiçoamento e atualização para instruir seus alunos. Nessa lógica, os cidadãos serão educados desde cedo a lidar com a nova realidade da comunicação na era digital e terão mais ferramentas para evitar a alienação em suas relações digitais.