Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 04/05/2020

“O livre-arbítrio não é livre”. Esse “slogan” é o utilizado na terceira temporada da série de ficção científica “WestWorld”, produzida pelo canal HBO. Nessa lógica, a série apresenta uma narrativa futurista na qual um super computador direciona as vidas da população sem que essa saiba. No Brasil , entretanto, a realidade não está distante do que a série retrata, visto que a falta do autoconhecimento vem sendo digitalmente explorada por empresas para influenciar e manipular a sociedade. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar o uso tóxico da falta que assola o povo.

Inicialmente, é importante verificar o principal impacto da influência de empresas no cotidiano do brasileiro. Nesse contexto, nas mídias sociais, Youtube e Instagram, companhias aproveitam a visibilidade de influenciadores digitais para vender ideias e influenciar o público. À vista disso, tal cenário, aproveitando-se da falta de autoconhecimento, permeabiliza a mente do povo, muitas vezes humilde, aos produtos ofertados e fomenta o consumo sem resistência. Diante disso, é absurdo como, apesar de nocivo, no Brasil, a falta de autoconhecimento da população ainda é usada como uma ferramenta desleal para a promoção de negócios e que pode levar muitos cidadãos às dívidas.

Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito da manipulação de empresas nas decisões tomadas pelos cidadãos do Brasil. Nessa lógica, o uso de tecnologias como “Big Data” e “análise de dados” são utilizadas para especular preferências de consumo e comportamento que nem mesmo o indivíduo analisado sabe que tem. Sob essa perspectiva, tal situação, possibilita que a cada “clic” dados pessoais sejam fornecidos para empresas e essas cada vez mais direcionam, de acordo com os gostos do usuário, o acesso do povo. Dessa forma, é preocupante que antolhos digitais sejam inseridos no dia a dia da população que passa a ter uma sensação de escolha, quando na verdade essa já foi filtrada e pré-selecionada por algoritmos.

Nota-se, portanto, a grave capacidade de influência e manipulação das empresas em uma população cujo a falta de autoconhecimento faz-se presente. Assim, cabe ao Governo Federal proteger o povo brasileiro das explorações empresariais. Isso pode ser feito por meio da inviabilização financeira para uso promocional da visibilidade dos influenciadores, ao cobrar impostos para as empresas que queiram utilizar esse alcance, e da dificultação do acesso aos dados da população, ao desenvolver leis que protejam essas informações integralmente. Espera-se, dessa maneira, que o livre-arbítrio seja livre e a população brasileira possa vivenciar a era digital sem que sua falta de autoconhecimento seja usada para promoção empresarial ou limitação de informações.