Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 04/05/2020
No episódio “Queda livre”, da série “Black Mirror”, a personagem Lacie passa a moldar sua vida de forma a se enquadrar em determinados padrões, a fim de receber boas notas em um aplicativo que determina o status de cada indivíduo. Para isso, Lacie precisa abrir mão de sua própria personalidade e de seus valores na busca pela aprovação social. Da mesma forma, no mundo real, as redes sociais exercem cada vez mais influência na vida das pessoas. Por esse motivo, a autenticidade e a individualidade têm se tornado cada vez menos comuns nas sociedades contemporâneas. Sendo assim, a busca pelo autoconhecimento é fundamental na preservação da identidade e das crenças individuais na era digital.
Em primeiro lugar, a mídia apresenta um papel essencial no que diz respeito à difusão de valores e padrões sociais. Segundo o conceito de Indústria Cultural, criado pelos estudiosos Theodor Adorno e Max Horkheimer, nas sociedades pós Revolução Industrial há uma tendência cada vez maior à padronização e massificação das crenças e costumes, com o objetivo de gerar lucro e fortalecer o pensamento dominante. Assim, os valores de grande parte da população são impostos pelos meios midiáticos e raramente questionados.
Por outro lado, a padronização da produção, trazida pela Revolução Industrial, levou também à uma padronização do consumo. A obra “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, retrata uma sociedade distópica em que os indivíduos apresentam as mesmas crenças e padrões de consumo. Tais indivíduos estão sujeitos às ideias e valores que lhes são impostas, sem nenhuma liberdade de escolha. Logo, a valorização do autoconhecimento, do pensamento crítico e da busca pelas crenças individuais é fundamental na preservação da identidade dos indivíduos.
Portanto, a busca pelo autoconhecimento é de extrema importância no mundo contemporâneo. Para isso, as instituições de ensino devem ser responsáveis pela formação de indivíduos críticos e autênticos por meio de palestras e debates sobre autoconhecimento e inteligência emocional, permitindo aos indivíduos a escolha consciente de seus valores. A mídia, por sua vez, deve criar programas e filmes que abordem as diversidades, de forma que as pessoas se identifiquem sem a necessidade de se enquadrar aos padrões dominantes. Somente assim será possível criar indivíduos mais críticos e autênticos e afastar a possibilidade de uma sociedade como a sociedade do “Admirável mundo novo”.