Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 05/05/2020

A falta de autoconhecimento na era digital é fruto da desvalorização de matérias escolares que abordam esse assunto. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro preocupante, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à negligência estatal e promove efeitos negativos alinhados à corpolatria nas redes sociais, e ao consumismo.

Mormente, o primeiro grande desafio é vencer a negligência governamental no que tange a inserção, no currículo básico comum escolar, de matérias que abordem o autoconhecimento. A esse respeito, a socióloga, atriz e drag queen Rita Von Hunty afirma que a escola se preocupa mais em cumprir um currículo pré-estabelecido e pouco em formar cidadãos que sejam educados financeiramente, emocionalmente e socialmente; “muito delta e pouco autoconhecimento” - diz Rita. Destarte, pode-se afirmar que a carência desse tipo de matéria no ensino básico contribui para o aumento de indivíduos com pouco autoconhecimento, o que impacta, negativamente, suas vidas sociais e digitais.

Consequentemente, a ausência de autoconhecimento promovida por rastilhos educacionais gera efeitos onerosos à vida digital de um determinado indivíduo. Isso ocorre porque elas estarão mais vulneráveis a opiniões alheias em redes sociais, gerando o culto à beleza, tal qual aos algoritmos online, que são programas de internet que capturam o interesse pessoal e o expõe como mercadorias na própria internet, induzindo pessoas à compra. Esse panorama, consoante ao pensamento de Karl Marx, gera uma “alienação”, fenômeno no qual os indivíduos têm seu comportamento controlado por outrem, sem que percebam que suas ações estão sendo controladas por terceiros. Tristemente, Isso apenas fomenta práticas extremamente negativas: a corpolatria e o consumismo.

Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, instituição a qual tem o poder de interferir na base comum curricular, criar uma matéria a qual deve ser inserida na grade curricular do ensino médio, grau escolar no qual o jovem já apresenta maturidade para discutir assuntos relacionados ao autoconhecimento. Tal disciplina deve ser aplicada mediante a discência de professores de sociologia, os quais devem abordar temas como: consumismo, sexualidade e aparência. Assim, poder-se-á  atenuar o problema do autoconhecimento, principalmente, no panorama digital, e ajudar na criação de indivíduos mais controlados e menos influenciáveis.