Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 09/05/2020
No primeiro semestre de 2019, o aplicativo Instagram retirou de suas opções o acesso ao número de “likes” de outros usuários, para que, de acordo com a empresa, o bem estar psicológico de seus acessantes pudesse ser preservado. Esta ação, no entanto, também afetou a esfera comercial que passou a obter um menor alcance em razão das informações algaritmas ligadas a função. Em síntese, o próprio universo tecnológico mostrou, nesta situação, o quanto pode influenciar não apenas o consumo, como também a integridade psicológica de seus beneficiários.
Em primeiro lugar, é necessário observar como ocorre essa influência tão significativa por parte dos meios digitais sob a saúde emocional de seus usuários, e como ela pode ser um problema. É válido considerar nesses termos, que a padronização de hábitos, vestuários, e até mesmos gostos tendem a causar insegurança em muitos, que em virtude desses fatores se sentem deslocados. O que pode ser considerado problemático porque, de acordo com a filosofa Hannah Arendt, estar isolado é estar privado da capacidade de agir, e é essa sensação de deslocamento que pode afetar nessas circunstâncias o bem estar psicológico do ser social que ao se sentir isolado tende a se inferiorizar.
À proporção que essa situação se torna um problema a esfera da saúde pública, a mesma condição vira vantagem para o setor mercantil, que levanta a outra questão citada: a influência digital no consumo. Cientes da instabilidade criada por esse meio o mercado utiliza desse fator como impulsionador de vendas, criando necessidades veiculadas as inseguranças dos clientes. Prova disso é a canção Mr. Potato Head da musicista contemporânea Melanie Martinez, que acusa em um dos seus versos as mídias digitais de tratar essa manipulação de necessidades como algo normal.
Sob essa perspectiva, cabe ao Ministério da Educação adicionar na sua grade curricular desde o ensino fundamental ao universitário, a Educação digital. Outrossim, ao Ministério da Saúde a criação de um programa aberto a comunidade que dê assistência nesse sentindo. Essas ações podem ser realizadas com a disponibilização de profissionais recém formados ou estudantes da área interessados em receber experiência, os quais poderão atuar guiando o uso das tecnologias com o uso da inteligência emocional. Para que assim os cidadãos possam aprender a lidar com influência digital sob suas inseguranças e evitar ou ao menos reduzir esse tipo de problemática.