Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 05/05/2020
Em sua música “Admirável Chip Novo” a compositora Pitty revela um problema de identidade e assemelha sua existência a de um robô, vítima de um sistema que o manipula. Desde o século XV, com o surgimento do capitalismo, observa-se uma sociedade voltada para o consumismo e que, junto com sua evolução, ascendem os métodos para influenciá-la. Hodiernamente, com o advento da sociedade tecnológica, a confusão, falta de autoconhecimento e a desinformação sobre o sistema, nos expõe e, igualmente ao pensamento de Pitty, nos manipula com uma visão Marxista de reificação - que visualiza o consumidor como produto. Dessa forma, é perceptível uma mídia que busca alienar e controlar o desejo do consumidor para benefício próprio.
Primeiramente, é notável a confusão social, gerada por um sistema educacional falho. Por consequência de uma socialização primária frágil, a influência da mídia se torna catalisador na formação de um cidadão consumista, uma vez que busca a todo tempo, insinuar e incitar a compra e necessidade de objetos que, muitas vezes, são desnecessários. Além da influência do neuromarketing - área da psicologia responsável pela influência no setor da compra, tem-se como fator constitutivo a desinformação, tendo em vista que o consumidor procura métodos prejudiciais para realizar as compras, como busca por créditos excessivos e agiotagem.
Paralelamente, evidencia-se em favor do controle do cidadão a reificação nos mecanismos de busca, visto que empresas como o Google realizam verificação e classificação de dados de pesquisa, na intenção de indicar produtos de acordo e comerciais que satisfaçam e prendam a atenção do usuário. Por conseguinte, esses dados são muitas vezes vendidos à outras empresas para estatísticas e outras pesquisas que exigem informações detalhadas e privadas sobre os internautas. De acordo, o cidadão é tido como produto, pois são classificados em números e utilizados para analisar conjuntos, mantendo o controle do marketing sobre as áreas.
Portanto, nota-se a introdução da visão de consumo desde a socialização primária, gerando, quando adulto, um cidadão que segue os padrões de consumo prédefinidos pela mídia. Destarte, é necessário que o Poder Legislativo realize a integração de Leis que tragam parâmetros para os portais de mídia nacional - já que essa mesma atua de forma independente, definidos por meio de votações abertas e senso popular, para que haja controle da socialização primária, a fim de que a visão sistemática de consumo e alienação seja desconstruída, ressaltando a liberdade perante os efeitos da falta de autoconhecimento expostos por Pitty em sua obra.