Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 08/05/2020

No filme da Netflix, “Modo Avião”, uma das personagens alega que se conhecer é o primeiro passo para se odiar. Apesar da cena cômica, a frase representa bem o senso comum ruim acerca do autoconhecimento. No entanto, conhecer-se pode ajudar a terem melhores experiências na era digital. Isso porque, a falta do conhecimento de si próprio permite que empresas de venda e marketing, as quais usam de dados da internet para saber mais das pessoas que elas mesmas, manipulem seus compradores. Além disso, essa ausência pode causar carências emocionais, interferindo, assim, ainda mais no comportamento dos indivíduos no mundo virtual.

Em primeiro lugar, cabe destacar que  desde as propagandas televisivas ao uso de dados de mídias sociais, as empresas tentam estimular o comportamento consumista. Por certo que a mundo virtual facilitou esse processo, uma vez que os rastros digitais exprimem muitos questões sobre a vida dos usuários, das quais nem eles percebem, porém permite que as empresas tracem o perfil do indivíduos. Analogamente ao pensamento de Max Weber sobre a liberdade ser apenas aparente, faz-se evidente que pela falta de conhecerem suas reais necessidades, as pessoas são manipuladas para consumirem produtos que não necessitam, por meio de ideias ilusórias, montadas a partir do seu rastro digital.

Ademais, convém ressaltar que as carências emocionais por vezes são expressadas no meio virtual, de forma disfarçadas, por exemplo por meio das “selfies”, e da busca por aprovação. Segundo o filósofo Zygumunt Bauman, as incessantes transformações geram angustias e incertezas na modernidade. Assim, entender-se permite a certeza sobre si, apesar de todas as incertezas sociais. Logo, os indivíduos estarão mais seguros de si, para se aceitar e procurar sanar suas carências emocionais no local certo e não na internet, na qual acabam se exponde demais ou colocando suas inseguranças sobre os outros e os atacando.

Portanto, cabe as escolas, principalmente de ensino médio, e universidades promoverem projetos de autoconhecimento, por meio de palestras e debates  com psicólogos e psiquiatras. Com o objetivo de apresentar as utilidades do conhecer-se no século XIX e prevenindo, indiretamente, que seus alunos sejam manipulados na internet. Além disso, é dever das famílias, buscar para os filhos ajuda profissional, que possa ajuda-los a se autoconhecer, a fim de amenizar suas carências emocionais e lhes prevenir de buscar aprovação no mundo virtual.