Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 07/05/2020
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que o taxa de doenças psicológicas, como a depressão, tem se agravado gradativamente. Sob esse aspecto, dois fatores não podem ser negligenciados: a baixa abordagem sobre os cuidados com a saúde mental e a alienação provocada pelo excesso da tecnologia no dia a dia. Dessa forma, medidas cujo objetivo sejam promover o autoconhecimento para melhorar a saúde mental dos indivíduos devem ser tomadas.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que de acordo com a OMS, cerca de 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como a ansiedade e a depressão. Entretanto, há uma estigmatização acerca de temas referentes à saúde mental no país, sendo essa área da medicina deixada, muitas vezes, de lado. A baixa abordagem de temas relacionados a necessidade de autoconhecimento é um costume social que está presente desde a infância, no qual os alunos não são estimulados a pensarem “fora da caixa” e a desenvolverem afinidades pelo que está fora do padrão. Tal atitude dificulta o processo de reconhecimento do valor pessoal e da distinção dos pontos fortes e fracos de cada um, corroborando para uma sociedade automatizada.
Concomitantemente, soma-se ao supracitado que, de acordo com o psicoanalista Freud, é habitual das pessoas não terem consciência das razões dos seus atos. A falta de um pensamento crítico social prejudica diretamente nas decisões sobre o que é realmente necessário no momento, facilitando meios de manipulação social. Como exemplo disso, pode-se citar as empresas midiáticas que fazem uso excessivo de propagandas para estimularem a compra de produtos para gerar lucro às empresas. O bombardeio de informações na era digital provoca uma sensação de insuficiência pessoal e, se não tratado com cuidado, pode agravar ainda mais os problemas psicológicos.
Perante o exposto, são necessárias medidas intervencionistas governamentais. Urge que o Ministério da Educação promova campanhas em escolas que incentivem a autorreflexão, disponibilizando livros com questionamentos sobre atitudes e limitações. Outrossim, o Ministério da Saúde, juntamente com empresas midiáticas, por meio de propagandas em televisão aberta, devem estimular a valorização da saúde mental, como a procura de ajuda profissional para que, por meio de técnicas de diálogo seja possível perceber como o indivíduo se vê inserido no mundo.