Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 07/05/2020
O autoconhecimento emergiu como uma necessidade de compreender a psiquê humana desde o filósofo grego Sócrates. À época, servia, fundamentalmente, como um instrumento capaz de explorar pontos positivos e negativos dos 4 temperamentos humanos e utilizá-los a seu favor. Frustra constatar, porém, que, em uma era digital voltada à lucratividade, a Indústria Cultural aproveitou-se da falta de autoconhecimento dos indivíduos, padronizando-os e projetando sobre eles uma série de imperativos que passam, lamentavelmente, despercebidos. Diante disso, é imprescindível analisar como o sistema econômico vigente atrelado à omissão das autoridades competentes corrobora tal problemática.
A princípio, é relevante ressaltar que o capitalismo influencia na perpetuação da falta de autoconhecimento, causando efeitos negativos à população. Isso ocorre, segundo Karl Marx, na obra “O Capital”, de uma fetichização dos bens, na qual bens materiais passam a adquirir valor simbólico. Em outros termos, ter o carro do ano, o último celular lançado ou a selfie mais incrível passam a valer mais que as próprias virtudes de uma pessoa - e as empresas sabem muito bem disso. Assim, entra em cena a Indústria Cultural, citada pela Escola de Frankfurt, na Alemanha, que impõe e padroniza gostos, tornando os consumidores em meras estatísticas à luz de um sistema extremamente eficaz de geração de lucro. Em decorrência disso, o autoconhecimento - que inibiria a engrenagem capitalista de rodar - é deixado de lado, permitindo a manutenção de um sistema que substitui o ser pelo parecer.
Outrossim, a função do Estado é - ou deveria ser - a de zelar pelo cidadão, oferecendo-os técnicas que permitam a potencialização do autoconhecimento. Quando a teoria é trazida à realidade, vê-se que nada disso ocorre. Com efeito, o aparato público pouco se preocupa com as necessidades deste ao adotar uma postura estoica, omitindo-se frente ao caos que está instaurado. Bom exemplo disso é que a educação, prioridade em países de primeiro mundo, é, no Brasil, estarrecedora, atingindo a alarmante última colocação entre os países da América do Sul no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), e, enquanto isso, deputados fazem, todos os anos, votações na surdina para aumento salarial.
Depreende-se, portanto, que a falta de autoconhecimento é motivada pelo sistema econômico e o Estado é ineficaz em combatê-la. Em razão disso, intelectuais e professores engajados na luta pelo autoconhecimento devem pressionar a Câmara dos Deputados, por meio de manifestações pacíficas e diálogo, a protocolar uma PEC - Proposta de Emenda à Constituição - que disponibilize em mídias e veículos sociais palestras com psicólogos sobre como deve-se agir para fazer florescer o autoconhecimento, a fim de que a sociedade não arque com as mazelas criadas por um sistema egoísta. Desse modo, o autoconhecimento será, novamente, importante, como era na Grécia Antiga.