Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 08/05/2020

Na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates através da célebre frase “Conhece-te a ti mesmo” sintetizou o poder do autoconhecimento que, segundo o pensador, é a única fonte de entender seus valores e propósitos pessoais e se aceitar como uma pessoa com singularidades. Diferente da antiguidade clássica, hoje, a humanidade passa por uma crise existencial e de autocontrole, em que os indivíduos não se compreendem e têm sua identidade e caráter moldados pelo universo digital. Com isso, se tornam pessoas facilmente manipuláveis e capazes de depreciarem as particularidades alheias, além de se verem presos em crises de identidade.

Primeiramente, vale destacar um trabalho idealizado por Zygmunt Bauman sobre Modernidade Líquida, na qual o filósofo diz que na modernidade, devido ao avanço das tecnologias como meios de transporte e comunicação, tudo parece muito rápido e desconectado. Essa sensação de não pertencimento gera angústia e incerteza, e cria uma ideia de superficialidade sobre tudo, inclusive sobre si mesmo. Desse modo, a falta de autoconhecimento é crucial para que a rede digital controle as regras sociais. Assim, a grande mídia pode construir cidadãos que se comportem conforme ela se beneficie, como ao estimular o consumo e impor um pensamento dominante, responsável por gerar lucros e controlar a massa facilmente, deixando-a incapaz de fazer questionamentos sociais que gerem conflitos

Em virtude dessa alienação moral construída pela instituição digital, é comum o surgimento de preconceitos com a diversidade. Da mesma forma que pessoas seguem um padrão de comportamento que acham ideal, como maneira de se vestir, comer, comprar, pensar e até mesmo ser, ao se deparam com indivíduos que tem o comportamento social destoante da maioria, a julgam como incoerente. E seguem assim até o momento em que começam a fazer questionamentos reflexivos, sobre quem realmente são, quais seus valores, desejos e propósitos para seguirem atitudes de acordo com suas vontades pessoais. Mas até adquirirem plena consciência de si, poderão se encontrar em uma crise de identidade aflitiva, fazendo-os buscar auxílio em livros de autoajuda e consultas psicológicas.

Portanto, é evidente que o autoconhecimento é elementar para construir uma vida autêntica e concreta. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação desenvolva cartilhas educacionais para serem distribuídas junto às instituições escolares, além de possibilitarem palestras com psicólogos. Tudo isso para auxiliar as crianças e jovens a desenvolverem um pensamento autorreflexivo, para que possam crescer sem medo de mostrar suas características e lutarem pelos seus sonhos, segundo seus valores, independente do que pensa a maioria. Apenas assim, mudando a forma de pensar, pode-se criar uma sociedade com indivíduos que se autoconhecem e se respeitem.