Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 11/05/2020
Sobretudo, é possível observar que a contemporaneidade é pautada em um fluxo ininterrupto de informações. Assim, de acordo com o filósofo Stuart-Hall, o indivíduo, inserido na pós-modernidade, é dotado de múltiplas identidades, de modo a se concluir que esse fluxo ininterrupto tem participação direta na constituição identitária do homem atual. Por consequência, devido à falta de autoconhecimento na qual o ser humano está imerso, gera-se a problemática no que tange à manipulação do indivíduo como objeto para os transtornos na sua personalidade.
Por conseguinte, conforme a tese de Sartre, o ser humano está condenado a ser livre. No entanto, de modo paradoxo, tem-se a realidade da era digital: o indivíduo, em consequência da manipulação por meio de anúncios e propagandas, perde suas características e se torna um produto do meio. Portanto, se as múltiplas identidades, abordadas por Stuart-Hall, são sugeridas pela influência tecnológica e não por decisões conscientes, seria então, o homem, livre para fazer suas escolhas?
Nesse sentido, segundo a filosofá Hannah Arendt, uma existência vivida em público é superficial. Dessa forma, em analogia à modernidade, observa-se que os meios digitais, principalmente as redes sociais, influenciam o ser humano a viver para publicar, o que gera indivíduos pautados nas diretrizes de uma vida pública e, portanto, superficial. Como exemplo, a distopia televisiva “Black Mirror”, trouxe em um de seus episódios a ilustração de uma sociedade baseada em uma rede social, o que elucida como personalidades criadas sob tais moldes são supérfluas e prejudiciais. Assim, depreende-se que, nessas circunstâncias, o ser humano é incapaz de ser totalmente livre para decidir acerca da sua identidade, como sugerido por Sartre.
Destarte, constata-se que os efeitos da falta do autoconhecimento suscitam transtornos identitários como produto da manipulação da era digital. É fulcral, portanto, que o Governo Federal, por intermédio do Programa de Proteção e Defesa ao Consumidor(Procon), crie um protocolo com regras a fim de impedir que a mídia manipule o usuário. Para isso, deve-se exigir que as empresas notifiquem as pesquisas feitas com os dados do consumidor, de modo que ele tenha conhecimento de quando suas informações estão sendo usadas para influenciar alguns comportamentos, como por exemplo o de consumo. Assim, será possível que o ser humano seja livre para escolher suas múltiplas identidades de forma consciente e não superficial.