Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 13/05/2020

No cenário atual do mundo globalizado, a revolução tecno-científico-informacional proporcionou grandes avanços na área digital, nos dias de hoje, com a criação de ferramentas e tecnologias, como por exemplo, as redes sociais. No entanto, o seu uso indiscriminado, por grande parte da população, indica, conforme o filósofo e professor da Unicamp, Leandro Karnal, que há uma crescente falta de identidade individual na sociedade brasileira, que busca significado existencial no mundo virtual. Deste modo, infere-se que a falta de autoconhecimento, hodiernamente, acarreta em problemas psicológicos depressivos, além da falta de senso crítico nas relações antropológicas atuais.

Em relação ao primeiro ponto, quando o filósofo Friedrich Nietzsche diz que “Deus está morto”, é apresentada uma perspectiva pessimista sobre o sentido da existência do ser. Desse modo, sem valores individuais intrínsecos, muitas pessoas sentem-se negligenciadas por não se enquadrarem aos atuais padrões elevados de comportamento, relacionados a finanças, estética, poder, etc. Dessa maneira, o médico Dráuzio Varella apresentou, em uma reportagem, que, devido a um problema de deturpação da autoimagem e ausência de propósitos existenciais, o número de pessoas com casos de depressão, atualmente, aumenta expressivamente. Nesse sentido, é importante o incentivo pela busca do autoconhecimento, por parte da população, e evitar, assim, novos casos de distúrbios psicossociais.

Adicionalmente, tendo em visto o cenário da falta de cultura identitária individual, tem-se uma oportunidade para as empresas depreenderem agressivas campanhas de marketing, objetivando a massificação cultural. Esse termo, criado por integrantes da corrente de pensamento conhecida como “Escola de Frankfurt”, indica a busca pela padronização dos comportamentos sociais, haja vista que a alienação da população facilita o consumismo e aumenta as vendas das grandes empresas, o que acarreta em uma forte dependência econômica-cultural por parte da nação.

Por conseguinte, fica claro que a falta de autoconhecimento, na era digital, é um desafio para o país. Por isso, é muito importante a criação de uma identidade nacional, tanto individual, quanto social. Para atingir este objetivo, deverá ser realizado, pelo Governo Federal, o fortalecimento do senso crítico da população, seja por meio da introdução do ensino de filosofia, já no módulo básico, compreendendo toda a cadeia histórica de pensamentos críticos e existenciais, assim como, também por meio da educação, a introdução à princípios de cidadania e sociedade. Destarte, as pessoas tornarão mais austeras a sua capacidade de questionamento e autoconhecimento, culminando em uma nação mais crítica e civilizada, com indivíduos mais cientes das suas próprias vontades e necessidades, portanto, menos suscetíveis a problemas psicológicos.