Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 27/06/2020
Segundo a poeta Rupi Kaur, “A representatividade é vital”. Para ilustrar essa afirmação, a escritora faz uma alusão a uma borboleta que desejava se tornar uma mariposa por estar rodeada delas. Nesse sentido, nota-se que, na era digital, a falta de autoconhecimento institui um padrão de comportamento na sociedade, uma vez que inibe o surgimento de expressões díspares. Diante disso, a uniformização de obras culturais faz com que as pessoas experienciem uma vida inautêntica, o que contribui para a persistência da problemática.
É importante ressaltar, em um primeiro plano, a homogeneização das produções artísticas. De acordo com o termo “Indústria Cultural”, criado pelos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, a valorização do lucro pelas empresas ocasionou o desaparecimento do poder transformador da arte, haja vista que a temática das produções segue a tendência do mercado. Desse modo, devido à limitação imposta pela corrente hegemônica, os indivíduos não desenvolvem um pensamento crítico acerca da realidade.
Ademais, vale destacar a ausência de personalidade. Consoante ao filósofo Heidegger, uma vida inautêntica é caracterizada pela vivência na qual o sujeito atua de forma passiva nas suas escolhas. Sob essa ótica, observa-se que, ao permitir que as pessoas assumam o controle de sua existência, o indivíduo não consolida os seus valores e ideais. Dessa maneira, a falta de identidade individual favorece a tomada de decisões negativas que são influenciadas por fatores externos.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de minimizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Estado, por meio de parcerias público-privadas, estimular a criação de produções cinematográficas a respeito de pautas sociais que estão em voga na mídia, com o objetivo de incentivar a construção do pensamento crítico dos brasileiros. Tal ação deverá ser realizada em conjunto com profissionais da área de Sociologia, para que os temas debatidos nos filmes sejam abordados de forma adequada. Assim, o Brasil será constituído por cidadãos conscientes e inalienáveis.