Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 19/05/2020
Um dia faculdade de engenharia e no outro arquitetura, essa é a vida de indecisão dos jovens. Hodiernamente, o Brasil vem enfrentando sérios obstáculos com este tipo de dualidade entre o ambiente físico e virtual, em que cidadão cria uma vida utópica nesta e, naquela, vive uma angústia, que com o tempo pode desencadear sérios efeitos pela falta de autoconhecimento na era digital. Para isso, tanto uma imposição civil quanto um governo omisso corroboram esse cenário estarrecedor.
Primeiramente, a cultura social de “intimar” padrões está se tornando um entrave. Trata-se do pai que não deixa seu filho procurar a profissão do desejo dele e obriga-o a fazer faculdade de medicina e o julgamento civil para que o indivíduo tenha um “tanquinho”, como o do ator da web. Assim, não é de se surpreender, que tais obrigações, extrapole o contexto social, vá para o virtual e pessoas comecem a criar perfis fake no Twitter com uma vida de esplendor que, muitas vezes, faz com que eles se “desconheçam” em prol da aceitação, algo já alertado pelo filósofo Jean-Jaques Rousseau, que dizia ser o homem um produto do seu meio. Logo, uma sociedade querer legitimar o tipo de roupa e profissão do indivíduo é um estimulo para a falta de autoconhecimento e do cenário de Rousseau.
Ademais, a negligência governamental impulsiona o problema. Segundo Mikhail Bakunin, político russo, o Estado é a negação da humanidade. Basta ver que não se tem coaching nas escolas para os alunos se autoconhecerem, não há orientações de como lidar com compras impulsivas de anúncios na internet e não se dá dicas aos jovens de como o diluir crenças limitantes na aprovação do vestibular. Nessa perspectiva, não é de se admirar pessoas imprudentes com aquisição de produtos na web, empréstimos no cheque especial e jovens com crises de ansiedade limitados no alcance de objetivos. Nisso, uma autoridade que fomenta o endividamento de seus cidadãos, não ensina o jovem a lidar com a pressão civil e não cria alternativas, para que meninos parem de se sentir mal por não ter a vida de luxo da blogueira, ele realça os ditos de Bakunin e dá base a falta de autoconhecimento na web.
Destarte, é mister que o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação revertam esse panorama da falta de autoconhecimento na era digital, com propagandas para ensinar como identificar e tratar a impulsividade de compras na internet, anúncios de como procurar uma profissão e disponibilizar cartilha em postos de saúde e empresas, para alertar os problemas de não conhecer a si mesmo. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de escolas e ONGs a fim de mostrar aos indivíduos como lidar com desavenças internas, ajuda de coaching para retirar crenças limitantes, alertar os pais a incentivar os filhos a se aceitarem do seu modo de ser, com reuniões, cartazes e slogans. Dessa forma, amenizar-se-á indivíduos angustiados com suas vidas e torná-los seres mais seguros de suas convicções.