Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 15/05/2020
Com a Revolução Técnico-Científica-Informacional, no início do século XXI, a população está cada vez mais integrada e dependente do ambiente digital. O aumento da produção tecnológica foi essencial para que a produção científica e social se expandisse e fortalecesse, o que trouxe diversos benefícios à vida na sociedade moderna. Entretanto, a exposição excessiva ao ambiente digital se tornou cada vez mais nociva à esfera individual da população, uma vez que o próprio indivíduo perdeu seu protagonismo na construção de autoconhecimento.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que a “alienação digital” é um fato social na sociedade brasileira e, segundo a Émille Durkheim, por ser coercitiva, geral e exterior, torna-se uma característica inerente à população brasileira. Nesse sentido, a presença constante das redes sociais passa a moldar toda a vida das pessoas, já que o constante bombardeamento de notícias e anúncios cria uma falsa noção de conhecimento sobre o que lhes é apresentado, assim, inconscientemente a população se faz refém do “perfil” criado e imposto pelo algoritmo das redes sociais.
Por conseguinte, toda essa alienação se torna uma ferramenta para os governos e líderes manterem sua hegemonia, posto que, o constante bombardeamento de “fake news” possibilita que a população seja influenciada, a partir da necessidade e da busca pelo controle dos governantes. Dessa forma, a dominação carismática, definida pelo sociólogo Max Weber como uma dominação em que há a influência incessante do líder sobre os seus “súditos”, mostra-se como um fator determinante na construção dos governos modernos, visto que a falta de autoconhecimento da população se torna uma brecha para que através dessas “fake news”, criem-se redes de fanatismo que sustentam o poder dos líderes contemporâneos.
Perante o exposto, o Estado deve adotar medidas para amenizarem o quadro atual. Cabe ao MEC, por meio da Base Nacional Comum Curricular, a criação de um projeto a ser realizado nas escolas, o qual promova debates, palestras e atividades lúdicas que evidenciem a importância da construção de um autoconhecimento e os perigos da dependência digital, tendo em vista que atividades culturais coletivas têm um imenso poder transformador, a fim de que, desde a infância, a população seja conscientizada. Somente assim esse fato, anteriormente inerente ao povo brasileiro, será superado.