Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 16/07/2020

Pense, fale, compre e beba. Essas ações no imperativo estão presentes na música Admirável Chip Novo da cantora brasileira Pitty, a qual apresenta uma reflexão de como as pessoas, na era tecnológica, estão sendo demasiadamente influenciadas pela mídia. Acerca dessa lógica, o fato é resultado da ausência de autoconhecimento, no contexto digital, que não só fomenta o consumismo exacerbado, como também pode contribuir para o desenvolvimento de um quadro de depressão.

Conhecer a si mesmo, em primeiro lugar, é um importante valor que inviabiliza que o indivíduo caia na armadilha de seguir o padrão estético imposto pela sociedade e intensificado com o advento da internet e das redes sociais. De fato, a tentativa de se enquadrar no estigma de beleza ,difundido na mídia, corrobora o consumo excessivo e, assim, parafraseando José Saramago, iria ocorrer a morte do cidadão e o nascimento do cliente.

Outrossim, a busca por atingir a perfeição assistida nas redes sociais, muitas vezes, é frustrada. Diante disso, a pessoa pode desenvolver uma depressão por não se sentir parte da esfera que ela idolatra. Assim, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país com maior prevalência da doença nas Américas, apresentando cerca de 6% de brasileiros diagnosticados. Em suma, nessa conjuntura, são necessárias ações que visam a alteração desse cenário.

Por conseguinte, é notório que são negativos os impactos da ausência de autoconhecimento frente a bombardeios de informações na internet. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde atue  na mídia com comerciais lúdicos que mostrem a população a pluralidade existente a fim de eliminar o padrão estético vigente. Além disso, são necessárias campanhas com atendimento psicológico para enfatizar a importância do autoconhecimento e evitar que uma decepção evolua para uma depressão. À vista disso, a maxima de Sócrates conhece-te a ti será um bem valioso.