Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 17/05/2020

No filme Na Natureza Selvagem, estreado em 2007, há a abordagem da história de Christopher, na qual abdica-se de todos os privilégios socioeconômicos em prol de estipular uma ruptura com o materialismo cotidiano, bem como de convenções sociais para conhecer-se como ser na sua essência. Nessa vertente, nota-se similaridade com a problemática contemporânea brasileira refente a autoconhecer-se de maneira desvinculada dos meios de coerção social. Diante disso, constata-se múltiplas interferências digitais e midiáticas como pré concebidas indispensáveis e essenciais ao ser.

Em primeira instância, convém ressaltar as variadas estratégias de manipulação da mídia que muitas das vezes faz-se imperceptíveis. Nesse sentido, utiliza-se das redes de dados pessoas e pesquisas para estabelecer um conhecimento mais aprofundado e alicerçado do indivíduo, por vezes, melhor do que ele mesmo se conhece. Nesse viés, Chomsky, de maneira a legitimar tal tese, afirma que a mídia, pelo uso do sensacionalismo, acessa o inconsciente de modo a implantar e enxertar ideias, compulsões e induzir comportamentos, literalmente com o intuito de mitigar o aspecto emocional mais do que o aspecto reflexivo.

Em consonância, cabe salientar os moldes que são criados para suprimir vazios existenciais. Nesse contexto, o filósofo Nietszche, pela ‘Crítica a Moral’, pontua as ideologias sociais constituídas unicamente para ‘reafirmar o EU’. Dado isso, verifica-se a imprescindibilidade em estabelecer o autoconhecimento frente a qualquer outra ação, com a intenção de criar potencialidade crítica, bem como questionadora que faz-se anular a passividade diante das informações dispostas. Outrossim, Espinosa, em sua filosofia, ressalta a relevância em conhecer-se para conceber a aptidão de regular e filtrar ‘Maus Afetos’, estes explicados como vivências cotidianas que constituem o ser.

Diante desse cenário, a medida interventiva mais adequada é estabelecer regras mais rígidas e limitadoras para a mídia televisiva e principalmente a digital. Isso poderá ser realizado pelo Ministério Público Federal, com o auxílio do poder Legislativo do país. Isso será viabilizado mediante leis que imponham barreiras judiciais para influências concebidas como moldes ideológicos. Tudo isso para que atenue as estratégias ditas por Chomsky, abrande as ideologias sociais explicitadas por Nietzsche, bem como delibere a importância em autoconhecer resplaudada por Espinosa.