Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 18/05/2020

Em um episódio da série Black Mirror,a população é avaliada por uma rede social, onde as pessoas postam constantemente suas ações com o intuito de ganhar aprovação da sociedade. Fora da ficção, a falta de auto conhecimento atrelada à era digital caracterizam os acontecimentos da série com a realidade. Nesse contexto, o indivíduo se encaminha para a perda de sua individualidade e também problemas psicológicos.

Convém ressaltar a grande importância que o meio digital representa, seja por ser ferramenta de interligação entre as pessoas ou como meio de expansão capitalista. Desse modo, de acordo com o sociólogo Max Weber, o estudo da sociedade necessita de um “tipo ideal’, teoria essa que pode ser correlacionada com a criação atual de padrões comportamentais e estéticos. Assim, o indivíduo sem noção de si mesmo, sobre seus desejos, gostos e sua personalidade, passa a integrar a indústria das massas, uma vez que sente a necessidade de receber aprovação das mídias, direcionando portanto, seu modo de ser para corresponder a esses protótipos.

Paralelo à isso, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil apresenta taxas exponenciais de ansiedade e depressão, os quais são agravados pelo julgamento alheio na internet. Nessa perspectiva e análogo à trama do episódio de Black Mirror, a forma como as pessoas se avaliam no aplicativo digital da série influenciava sua saúde mental. Assim, como ocorre na realidade, comentários maldosos e sem fundamentos podem causar sérios traumas pessoais, como crises de ansiedade e síndrome do pânico. Desse modo, o auto conhecimento no século XXI é algo de muita relevância, pois pode guiar o indivíduo a focar na sua própria individualidade.

Portanto, para que tais acontecimentos estejam apenas em shows fictícios da televisão, é necessário ação. Logo, o Ministério da Educação por meio da inclusão de aulas ministradas por psicólogos e psiquiatras, devem instruir crianças e adolescentes à respeito da busca pelo auto conhecimento. Ensinando-os a se reconhecerem em meio ao mundo capitalista que busca a massificação social e em relação a aprovação alheia, por meio de dinâmicas que instruam também o uso das mídias digitais.