Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 20/05/2020
O livro “A hora da estrela”, de Clarice Lispector , conta a história de Macabéa, uma mulher que não se entendia, mas acreditava em tudo que diziam para ela, e por isso morreu inocente da própria situação, entretanto análogo a isso, a moderna sociedade Brasileira repete o enredo de Macábea não entendendo os próprios desejos e se deixando manipular pela Era da internet. Nessa conjuntura as maiores dificuldades, para alcançar o autoconhecimento, são: a excessiva idealização de produtos nas redes sociais e a alta comparação com influenciadores digitais.
Nesse contexto, é necessário destacar as principais relevâncias que o autoconhecimento traz para a formação emocional de cada indivíduo. Santo Agostinho, filósofo africano, afirmou: " O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual", ou seja o desenvolvimento humano está ligado ao domínio que cada homem tem sobre si. Analogamente uma pessoa que não se entende, também não sabe o que deseja e acaba tendo a personalidade suprimida; um exemplo disso, são os filhos “mais novo” e “mais velho”- Do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos- que tem as ambições tão apagadas, por conta da carência social, a ponto de não terem o nome explicitado pelo autor , o que mostra que a ignorância deles sobre eles mesmo ocasionou a perda de identidade. Isto é, o autoconhecimento traz autenticidade.
Contudo, observam-se alguns empecilhos que o mundo informatizado trouxe para a relação que o homem tem com a própria imagem. Primeiro, a alta idealização de produtos que ocorre nas redes sociais, aliena os seus usuários, que se tornam consumistas. Isso ocorre, porque as empresas utilizam a internet para se conectarem com o seu público alvo, e se estes não tiverem domínio sobre as próprias necessidades, tendem a sucumbir às promessas “milagrosas” de tais objetos ou serviços oferecidos.
Segundo, nota-se que existe uma comparação tóxica com influenciadores digitais e isso causa grandes danos psicológicos. Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco: “O excesso de uso da Internet cobra um preço alto: a negligência da vida real.” A saber disso, não entender e conhecer a própria identidade, ocasiona a perda da autenticidade, em detrimento da personalidade, forma de vida ou físico de outra pessoa, que é um modelo aclamado nas redes sociais.
Dessa forma, é necessário que, para garantir os benefícios do autoconhecimento, os usuários de aplicativos informatizados, se atentem a cuidados como: filtrar o consumo de conteúdos,e não credibilizar totalmente a internet. As próprias redes sociais devem incentivar os internautas a equilibrarem o digital com o real, a fim de preservar a saúde mental de tal. Isso diminuirá a incidência de “Macabéas” e aumentará o número de pessoas sadias e bem resolvidas com as próprias vidas.