Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 23/05/2020
A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico Científica, ocorreu na segunda metade do século XX e deixou inúmeros legados a sociedade atual, sendo um deles a rede de comunicação instantânea via meio digital. Dessa forma, as pessoas modificaram gradativamente os modos de pensar, agir e repassar informações e, como consequência, iniciou uma maior exposição da vida na internet. Assim, a falta de autoconhecimento pode trazer efeitos nocivos à população, uma vez que pode afetar a saúde mental dos jovens e promover o consumismo exacerbado.
A priori, o que se observa no mundo atual é a rede de conexão entre todas as diferentes formas de organizações sociais, na qual é possível conhecer outros locais apenas pelo celular ou computador. Segundo o filósofo Foucalt, o homem é um ser “biopsicossocial”, que necessita que esses três fatores (físico, mental e social) sejam desenvolvidos de forma saudável na construção do indivíduo.Todavia, os influenciadores digitais, na maior parte das vezes, colocam nas redes sociais uma parte do seu cotidiano na qual só coisas boas acontecem, gerando sensação de que a vida pode ser perfeita se seguir o conteúdo que ela produz. Dessa forma, um jovem que ainda está buscando sua identidade e autonomia no meio social se frustra ao perceber que não é possível viver uma rotina de trabalho, estudos, com alimentação saudável o tempo todo, o que desencadeia em problemas psicológicos, como a depressão e síndrome de ansiedade.
Em segunda análise, o meio digital também gera a sensação de concorrência no quesito de bens materiais, uma vez que existe o grupo de influenciadores que trabalham com conteúdos relacionados ao modo de vida que levam, seja alimentação saudável, rotina “fitness” ou moda, com o intuito de fazer outras pessoas se adequarem a tal modo. De acordo com o sociólogo Zigmunt Baumann, a sociedade vive no que é chamado de “Modernidade Líquida”, na qual as relações pessoais são pautadas pelos bens que se consome, o que gera a “coisificação” individual. Assim, tais blogueiros influenciando a consumir coisas desnecessárias, somado a falta de autoconhecimento pessoal, leva a uma pressão para consumir exageradamente.
Em vista disso, para reduzir tais efeitos da falta de autoconhecimento na era digital, cabe ao Ministério da Educação, ligado as mídias sociais, promover campanhas de propagandas, voltados para jovens e adultos sobre como lidar com pseudo sensação de que é necessário uma vida perfeita, a fim de melhorar a saúde mental dos jovens. Somado a isso, empresas devem realizar parcerias com influenciadores que não promovem a concorrência para consumir, visando promover a liberdade de escolha e não a imposição de algo desnecessário, para que assim a coisificação do “eu” acabe.