Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 23/05/2020
De acordo com o filósofo chinês Lao-Tsé, quem conhece os outros é sábio, mas quem conhece a si mesmo é iluminado. A partir desse pensamento, fica evidente a importância do autoconhecimento na vida do ser humano, sobretudo nos dias atuais, nos quais o comportamento do indivíduo está sendo moldado pela era digital. Assim, a falta de autoconhecimento acaba por se tornar um problema, pois promove a alienação na sociedade e contribui para o aumento dos casos de depressão.
A princípio, segundo o filósofo Michel Foucault, o ser humano é um corpo dócil, ou seja, recebe influência e é controlado por diversos mecanismos de poder da sociedade. Nesse prisma, a falta de autoconhecimento por parte do indivíduo contribui para o estabelecimento da alienação no corpo social. Isso se manifesta à medida que os recursos digitais, como a internet, se tornaram verdadeiras ferramentas de manipulação, nas quais são veiculadas não apenas informações e ideias em massa, mas também notícias falsas. Dessa forma, os cidadãos que não têm convicção de seus próprios ideias e não conhecem si, tornam-se sujeitos facilmente alienáveis pela falta de senso crítico.
Ademais, conforme o Ministério da Saúde, os atendimentos do Sistema Único de Saúde a jovens com depressão cresceram 115% entre 2015 e 2018. Com isso, é importante perceber que a falta de autoconhecimento na era digital favorece a disseminação da depressão. Isso porque com o advento das inovações tecnológicas e principalmente das redes sociais, multiplicou-se a propagação de esteriótipos, padrões de beleza e de vida, os quais contribuíram para deixar as pessoas mais inseguras e infelizes consigo mesmas. Nesse contexto, como o autoconhecimento está diretamente ligado à autoestima, o indivíduo que não sabe olhar para dentro de si e e reconhecer seus pontos fortes e qualidades, está mais propenso a se frustrar com as imposições da mídia e desenvolver a doença.
Logo, é preciso adotar medidas para atenuar esse problema. Para isso, o cidadão deve realmente buscar se conhecer, por meio, por exemplo, do consumo das artes em geral, como literatura, música, pintura, entre outras. Tudo isso com o objetivo de encontrar na cultura a sua identidade, definir seus gostos e poder, dessa forma, olhar de maneira crítica para si, definir suas qualidades e defeitos, e descobrir quem ela realmente é.