Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 27/05/2020
Segundo pesquisa realizada pela plataforma digital Youpix, cerca de cinquenta por cento dos jovens brasileiros já fecharam compras on-line por considerar as dicas de criadores de conteúdo. Dentro desse panorama, a influência midiática sobre os jovens faz com que, muitas vezes, eles conduzam suas ações de forma automática no espaço cibernético, uma vez que, por não se conhecerem bem, são persuadidos a fazerem isto. Desse modo, a falta de autoconhecimento, na era digital, revela desdobramentos negativos ao jovem, como a manipulação de seu comportamento por meio dos algoritmos e a descaracterização de sua personalidade incentivada por alguns influenciadores digitais.
A priori, é fulcral pontuar que a ausência de autoconhecimento torna o jovem mais propenso a ter o seu comportamento controlado na era digital. À luz do pensamento de Michel Foucault, filósofo francês, os novos mecanismos de poder exercem o controle sobre a maneira de pensar e agir dos indivíduos com pouca capacidade crítica. Sob tal ótica, o conhecimento deficitário do jovem sobre si mesmo facilita a manipulação de seu comportamento na internet, mediante a ação estratégica dos algoritmos nas redes sociais, que traçam perfis de busca e passam a disponibilizar, apenas, informações, produtos e serviços, que se adequem às suas preferências. Assim, o controle do comportamento cibernético através desses algoritmos, intensificada pela falta de autoconhecimento do usuário, impossibilita a apresentação de conteúdos distintos dos quais ele está habituado a acessar, e, portanto, pode contribuir com a formação de jovens acríticos, inconscientes e intolerantes na sociedade moderna.
A posteriori, conforme o antropólogo canadense Erving Goffman, a solidificação de estereótipos provindos de uma classe dominante resulta no processo de marginalização de indivíduos devido à atribuição de valores que os tornam diferentes e inferiores. Nesse viés, é indubitável destacar que, no mundo globalizado, discursos proferidos por alguns influenciadores digitais, que supervalorizam os seus padrões de beleza e conduta, reforçam estereótipos perante os jovens. Isso faz com que, muitos deles, tentem se adaptar para que sejam bem aceitos na sociedade. Essa descaracterização de suas reais personalidades, justificada pelo desconhecimento de si mesmos, implica frustrações individuais aos jovens e pode trazer danos à saúde mental daqueles que não se encaixam nos padrões estabelecidos.
Por fim, é notório que a ausência de autoconhecimento, na era cibernética, é a causa dos seus efeitos deletérios perante os jovens. Logo, cabe ao Ministério da Educação incentivá-los a se conhecerem melhor, por meio da criação de oficinas nas escolas de ensino fundamental e médio. Essas oficinas contarão com psicólogos, que devem orientar os jovens a exercitarem a inteligência emocional, a fim de prevenir que estes sejam manipulados pelos algoritmos digitais e pelos formadores de opinião.