Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
A partir da Revolução de 1817, o crescimento da industrialização propiciou ao Capitalismo uma maior facilidade de manipulação das pessoas. Ou seja, ocorreu a ampliação da alienação dos consumidores, especialmente pelos meios digitais, a qual visa a manutenção do sistema econômico vigente. Em consequência disso, minimaliza-se, em muitos casos, a capacidade de crítica do indivíduo advinda da falta do autoconhecimento. Sob esta perspectiva, nota-se a fácil adesão da pessoa a ideologias antidemocráticas e a consequente massificação das ideias.
Primeiramente, o limitado autoconhecimento pode acarretar na absorção sem questionamentos de ideais que infringem as liberdades Constitucionais. Isto é, a pouca percepção do “Eu”, juntamente ao ínfimo senso crítico do indivíduo, em muitos casos, levam-no a aderir e a propagar pensamentos que vão de encontro aos direitos individuais. Conforme o pensador Friedrich Nietzsche, o “efeito manada” constitui na doutrinação do pensamento de um contingente de pessoas e a consequente formação de seguidores de determinada ideia ministrada. Este contexto é estabelecido pela quase ausência de ideologias próprias construídas pela sociabilidade e, por isso, a necessidade de liderança do rebanho social. Esse problema se estende principalmente nos meios digitais, como redes sociais e a extensão do neonazismo.
Consequentemente, a falta de autoconhecimento acarreta no rompimento da individualidade e massificação das ideias em concordância a um ideal pré-estabelecido. De acordo com os filósofos Adorno e Horkheimer, nos processos educacionais pela sociabilidade - contato do indivíduo com o grupo no qual está inserido - ocorre a homogeneização ou padronização do pensamento em exclusão, sem argumentação, muita vezes, a outros pontos de vista. Isto é ainda mais intensificado no contexto digital que estabelece um “apartheid” político no qual inicia ferrenhas disputas entre ideais extremos entre si. Dessa forma há a fragilização do “Eu” em detrimento ao pensamento coletivizado, a limitada compreensão do mundo e aumento da intolerância.
Portanto, torna-se necessário impulsionar o autoconhecimento para o estabelecimento das relações harmoniosas entre indivíduos. Desse modo, as instituições de ensino - desde a educação primária - deve promover e incentivar a melhor compreensão do “Eu” por meio da desenvoltura de atividades recreativas que valorizem as escolhas individuais. Isso será possível com o acompanhamento de psicopedagogos, juntamente com os responsáveis, em práticas que estimulem o questionamento, visando o pensamento crítico associado os direitos humanos. Ademais, a família, instituição fundamental para formação do indivíduo, deve educar e instruir por meio do diálogo e conversas - sobre o diversos assuntos que circundam a sociedade - objetivando a contraposição da massificação do pensamento, conforme Adorno.