Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 23/05/2020

O episódio “Queda Livre” da série “Black Mirror” retrata um futuro onde a tecnologia é o centro de tudo e as pessoas são julgadas por um aplicativo. A personagem principal faz de tudo para ser aprovada e admirada nas redes sociais, pois, por causa das avaliações positivas dos outros é possível obter um grande número de benefícios. Saindo da ficção, nota-se que essa é uma realidade dos dias atuais visto que a sociedade está cada vez mais vivendo em função da aceitação que tem ou que não tem no meio digital. Dessa forma, é necessário analisar os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital.

É fundamental, de início, salientar que o primeiro efeito dessa problemática é de ordem social. Isso, pois as pessoas sentem uma necessidade incessante da aprovação e da validação do outro através dos likes e comentários que elevam a autoestima, em busca de convencer-se daquilo que eles não tem certeza nelas mesmas. Prova disso, é uma das falas do filósofo grego Sócrates, “Conhece-te a ti mesmo”, que traz ao homem a reflexão sobre o autoconhecimento. Na era digital ter conhecimento sobre si é imprescindível, pois só assim o indivíduo é capaz de manter a sua singularidade e não temer diante a reprovação de olhares alheios.

Analisa-se, também, que outro efeito da falta de autoconhecimento na era digital é ligado a manipulação de dados. Isso, porque as principais redes tem o poder de influenciar o comportamento de determinado grupo por meio do uso de dos “rastros” de navegação na internet, detalhes sobre preferências informadas nos perfis de redes sociais. Exemplo disso é a técnica de marketing chamada “retargeting”, que é quando o consumidor pesquisa determinado produto e depois as propagandas que aparecem para ele são voltadas para esse tal produto.

Portanto, faz-se necessária a ação do Governo e das mídias sociais. O Facebook e o Instagram, por serem de grande importância, devem alterar sua política de privacidade e uso, por meio de legendas e alertas coloridos em notícias e imagens, explicitando o caráter comercial, com o fito de dar mais transparência e controle aos usuários. Para que cenas como a de “Black Mirror” fiquem apenas na ficção.