Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 24/05/2020
O sistema de produção capitalista propicia a criação de uma sociedade com dificuldade de autoconhecimento, visto que o método propõe a aceleração da rotina em prol da busca por mais capital e maior consumo de bens. Com o processo de digitalização do ser humano, a problemática gera efeitos como a manipulação do comportamento do usuário e da necessidade de se autoafirmar nesse ambiente. Sendo assim, é fundamental propor a autognose para a sociedade do século XXI.
Em primeira análise, é válido ressaltar o interesse mercadológico na manipulação de grandes massas. Segundo o Ministro da Propaganda de Hitler, para que uma mentira se torne verdade, basta repeti-la mil vezes, ou seja, com a repetição intensa de inverdades, passamos a acreditar apenas por insistência, mesmo sem qualquer explicação, apenas pelo fato de se tornar uma memória cerebral. Tal fato, levou Hitler a manipular grandes contingentes na Alemanha Nazista que dizimou milhões de pessoas, o líder Alemão percebeu a fragilidade da população perpetuando seu projeto de vingança. Trazendo para atual realidade, as redes sociais facilitam o processo de compartilhamento de informações, e grandes empresas e políticos disputam a compra dos nossos dados, dos nossos interesses, buscas e intimidades, tornando a privacidade em um novo comércio.
Em segunda análise, é de suma importância analisar o compartilhamento digital de vidas aparentemente perfeitas. De acordo com matéria do jornal “Veja”, as redes sociais contribuem para a sensação de comparação e angústia entre os jovens, passando a impressão de que todos são felizes e têm vidas excelentes. Isso, promove necessidades de autoafirmação entre a população, na tentativa de se parecer ao máximo com aqueles que admira, mesmo que se distanciando da própria pessoa que é, não respeitando assim seus limites e gostos e causando uma busca não saudável por ideias propostos pela própria sociedade. Sendo assim, o autoconhecimento pode contribuir não só para a autonomia do ser, mas para o seu bem estar consigo mesmo.
É evidente, portanto, que é dever do Estado, propor através do Ministério da Educação e Saúde campanhas que visem o autoconhecimento. Poderá ser criado um aplicativo digital que será chamado “Me amo e me respeito” no qual psicólogos, psiquiatras e pedagogos formados e em formação respondam dúvidas e quebrem tabus, por meio de verbas públicas, com o intuito de promover a educação da população. Além disso, é válida a inserção no currículo de ensino básico e superior, matérias que proponham a discussão do próprio eu como obrigatórias, visto que cumprem o papel social de formação do aluno para a vida em convívio. Dessa forma, o Brasil será exemplo no processo de autognose e de qualidade do bem estar social.