Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 29/05/2020
Durante a Alta Idade Média, os europeus eram manipulados pelo pensamento cristão, já que a igreja condenava a ciência, que questionava esses ideais. Ao ir para a era digital, percebemos que, assim como a falta de ciência nesse período, a escassez de autoconhecimento hoje permite a manipulação das massas. Essa problemática possui muitas reverberações, entre elas: o consumismo e o controle político.
Em primeira análise, a falta de conhecimento em si mesmo propicia o aumento do consumismo, o que é favorável ao sistema neoliberal atual. Segundo o filósofo Byung-Chul Han, o objetivo do neoliberalismo é equalizar os gostos e vontades, para maximizar a produção e, consequentemente, o lucro. Desse modo, quando uma pessoa não se conhece o suficiente, ela absorve as propagandas e tendências lançadas pelas empresas intrínsecas nas mídias e passa a comprar o que estiver ’na moda’ ou o que não precisa, em busca pertencimento, tornando-as consumistas.
Por outra observação, a carência de autognose permite o controle político na era digital. Quando não sabemos das nossas necessidades, os altos níveis de informação circulante na internet, aliado à nossa falta de atenção online quanto a veracidade dos dados, permitem o controle do pensamento político nas redes sociais. Assim sendo, os indivíduos autorizam que suas ideias sejam manipuladas e essas reverberem nos resultados eleitorais, como a de 2018, em que o eleitorado dos dois principais candidatos foram acusados de espalhar ‘fake news’ e, assim, difamar a oposição, manipulando o voto da população.
Portanto, é salutar promover o autoconhecimento das massas na era digital. Nesse intuito, é fundamental que o Ministério da Educação incentive a formação do pensamento crítico nos jovens. Para isso, as instituições educativas precisarão abordar, nas aulas de Ciências Humanas, múltiplas culturas para a identificação e reconhecimento de quem esses adolescentes são e deverão promover - nessas mesmas aulas- debates em sala que falem sobre a manipulação, de modo a criar discernimento do que estão sendo expostos online e consumam com consciência. A partir dessas medidas, o autoconhecimento será alcançado pela maioria, e esses não se permitirão ser manipulados, como foram os europeus pela igreja católica.