Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
Após a Segunda Guerra Mundial, o Estado brasileiro tornou-se um signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, baseada no ideário rousseuniano, que garante a igualdade, a dignidade e a liberdade ao indivíduo. Sob esse viés, percebe-se que o Brasil está indo de encontro a esse belo passado, visto que, hodiernamente, as empresas privadas estão usando a falta de autoconhecimento dos “internautas” para controlar os seus dados na esfera digital. A situação supracitada é grave e possui dois efeitos principais: a manutenção de concepções arcaicas e a perda da autonomia.
A priori, o crescimento de preconceitos, como o machismo, é uma das consequências primordiais do escasso autoconhecimento no mundo virtual. A ilustração da relação citada acima está presente, infelizmente, nas redes sociais, como o “Instagram”, haja vista que não só alimentam -mediante ao número de “curtidas” na publicação- a reprodução de concepções preconceituosas e ultrapassadas, por exemplo, a divulgação de matérias a favor da misoginia, mas também a padronização dos indivíduos com a expansão desse tipo de pensamento deturpado. Tal panorama é inaceitável, pois é contrário seja a diversidade cultural, seja a pluralidade humana, defendidos pela filósofa “Hannah Arendt”.Desta feita, deve-se realizar medidas para solucionar esse distúrbio social moderno urgentemente.
A posteriori, a perda do poder de escolha é o outro efeito nefasto do precário autoconhecimento no universo digital. Para compreender essa afirmação é necessário exprimir a concepção de “Cultura de Massa”, do livro “Dialética do Esclarecimento”, a qual está em vigor na atualidade. Nela, o indivíduo entra em contato com informações predeterminadas, geralmente, sobre anúncios venda de produtos, durante a navegação na esfera virtual e, por isso, as suas necessidades são moldadas. Essa situação faz com que o usuário da internet seja fortemente conduzido e direcionado para a realização da compra, uma vez que ela é massificada e direcionada. Tamanho cenário é absurdo, lastimável e precário, haja vista que ilustra um ferimento da liberdade e da autonomia do ser humano, defendidos tanto na Constituição Cidadã quanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Destarte, a falta de autoconhecimento tem como efeitos notórios a continuação de concepções arcaicas e a queda da autonomia pessoal. Logo, para mitigar a conjuntura supracitada, é mister que os influenciadores digitais diminuam a expressão dos preconceitos, mediante a criação de vídeos e de artigos de opinião, com o escopo de possibilitar o crescimento da diversidade cultural e do respeito à condição humana dentro das redes sociais. Ademais, urge que o Ministério da Educação combata, nas escolas, a modelização dos indivíduos por intermédio da produção de livros e de aulas ligadas diretamente à divulgação dos malefícios da cultura de massa, com o desígnio de honrar a liberdade.