Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
O filósofo francês, Michel Foucault, em sua teoria acerca das relações entre poder e conhecimento, afirma que há forças superiores que disciplinam os “corpos dóceis”, isto é, aqueles que inconscientemente permitem-se ser manipulados. Essa observação, é de extrema relevância para os indivíduos da era digital, uma vez que, a falta de autoconhecimento propicia a exploração dos mesmos por empresas e governos, além de leva-los à estagnação emocional.
A princípio, a autognose tornou-se uma urgência e não mais uma opção. Pois, quando a diversas formas formas de mídia conhecem mais as fraquezas do indivíduo, que o próprio, passam a controla-lo. Tal iminência, faz-se notável desde o século XX, com a ascensão de regimes autoritários, que usavam a mídia para alienar a sociedade. E Desse contexto, surgiu a teoria Hipodérmica, comparando as formas de poder com uma agulha que injeta ideologias nas pessoas. Entretanto, houve um equívoco em sua elaboração, visto que, descobriu-se as que pessoas que desenvolvem seu autoconhecimento podem entrar em contado com essas formas de alienação e não influenciar-se. Em síntese, o autoconhecimento pode ser comparado a uma forma de imunidade, contra meios de controle legitimados pelos veículos de poder, que afetam hábitos, costumes e até o pensar individual.
Além disso, a falta de perspectivas em relação ao próprio ser, faz com que as pessoas se apeguem a hábitos rasos e ideologias medíocres, impedindo a desenvoltura de seu verdadeiro potencial e, como resultado, tendo uma vida frustrada. Nesse contexto, cabe unir as idéias de “vício de aprovação”, de Caroline Mchugh, a qual afirma que amar a opinião de outra pessoa é iludir-se achando que é sua, e a de Matthew Kelly, o qual diz que os indivíduos são infelizes por estarem ocupados demais tentando ser felizes. Ambos os escritores, evidenciam que quando não ha autognosia os cidadãos passam a suprir suas necessidades baseando-se na opinião de terceiros, em busca de aprovação e de identificar-se.
Portanto, diante dos efeitos da ausência do autoconhecimento, é preciso que o Ministério da Educação alerte a população. Isso deve ser feito por meio de um projeto, que se manifeste nos mesmos veículos de influência usados pelas empresas e governos, que controlam os indivíduos, onde especialistas no assunto, denunciem com vídeos curtos como isso é feito, no intuito de não mais serem alienados. Além disso, é preciso pôr como prioridade do planejamento, o investimento para à acessibilidade de conteúdos sobre autoconhecimento, como livros, palestras, influenciadores e consultorias, visando, formar indivíduos conscientes de usas escolhas. E dessa forma, a sociedade brasileira da era digital, passará a ser composta por cidadãos críticos em busca da desenvoltura do seu melhor potencial e de forma alguma por “corpos dóceis” como mencionara Foucault.