Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
Segundo uma visão do filósofo Leandro Karnal,o conhecimento, em suas diversas configurações,é essencial para o entendimento de ações do individuo e da sociedade.Fora do campo teórico,o advento de novas tecnologias proporcionou a difusão dos saberes,desde os científicos até os sociais, valorizados pelo agente da filosofia.Nota-se,entretanto,que,diante dos mais amplos tipos de compreensões,a consciência individual,ou seja,o autoconhecimento está escasso na modernidade,principalmente nos novos campos digitais instituídos.Sendo assim,é necessário ponderar a manipulação do comportamento dos caracteres no âmbito econômico e sociopolítico.
De início, é preciso entender que a ausência do saber de si próprio favorece os modelos capitalistas de influência da mercadoria, isto é, dá margem à manipulação mercantil. Isso ocorre porque, segundo uma óptica do sociólogo Adorno, da escola de Frankfurt, a industria cultural dissemina a ideologia do consumismo e condiciona a vivência e a felicidade ao simples ato de consumir. Diante disso, reflete-se que as empresas, de maneira mais efetiva no meio digital, utilizam da falta de criticidade e autoconhecimento para implantarem ideias consumistas no subconsciente manipulado.Em consequência disso, o lucro desses agentes serão alcançados diante do crescimento do vício da mercadoria e da depressão pela não obtenção do produto.
Além disso, observa-se que a interferência nas concepções sociopolíticas do meio social é mais um efeito danoso no contexto da ausência do saber individualista.Tal fato ocorre porque, de acordo com o pensamento do educador Paulo Freire, a aquisição do conhecimento autônomo é de extrema importância para o desenvolvimento do olhar crítico e, posteriormente, da independência intelectual.Em função disso,infere-se que,sem os atributos essenciais para o pensador, torna-se crescente,pela falta da visão crítica, a absorção de ideias por correntes de manipulação social, como, por exemplo, as “fake news” no ambiente virtual. Consequentemente, valores importantes como liberdade, democracia e igualdade, presentes na Constituição de 88, podem sofrer ataques por cidadãos influenciados.
É necessário, portanto,que os olhares estejam mais atentos para o problema contemporâneo. Por isso,o Ministério da Educaçao,por ser um órgão influenciador,precisa trabalhar no estímulo da obtenção do autoconhecimento pelos cidadãos, por meios de ações no espaço físico e digital, como a adoção de ideias “freireanas” para oferecer ferramentas para autonomia intelectual e não obrigações. Tal ação deve ser feita, somado a implementação de uma política de valorização da criticidade nas redes sociais, com o intuito de combater interferências nos pensamentos econômicos e políticos, ou seja, ideológicos da população. Só assim, o saber valorizado por Karnal se expandirá para o âmbito do ser próprio.