Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
A globalização, por seu constante fluxo de informações, conectou o mundo de uma maneira inimaginável. Entretanto, esse trânsito intenso de informações na era digital suscita o questionamento a respeito dos efeitos da falta de autoconhecimento. Assim, podemos apontar que esses efeitos são negativos por serem manipulativos, controlando, principalmente os gostos e comportamentos dos indivíduos.
Primeiramente, o pensador John Locke afirma que o ser humano é uma “tabula rasa” que será preenchida por conhecimento. Nessa perspectiva, quando dentro dessa “tábula” não há o autoconhecimento prévio, ela será preenchida pelo conhecimento condicionado externamente. Assim, a falta do conhecimento do “ego” faz com que uma fonte externa de informação consiga manipular os gostos dos indivíduos a favor da venda de um produto, por exemplo. Dessa maneira, a ausência do autoconhecimento resulta na manipulação do gosto dos indivíduos.
Além disso, o filósofo Michel Foucault afirma que aquele que possui poder manipula aquele que não o possui, o “corpo dócil”. A partir disso, quando um agente externo detém o poder de preencher as “tábulas rasas” deliberadamente, pode controlar esses corpos. Dessa forma, esse agente pode instrumentalizar “corpos dóceis” para agirem contra ou a favor de pessoas, por exemplo. Assim, a falta de autoconhecimento resulta na manipulação do comportamento dos indivíduos.
Portanto, os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital são negativos. Assim, as escolas devem fomentar o conhecimento do “eu”, por meio da disciplina de Filosofia, a fim de que os indivíduos construam esse conhecimento essencial. Ademais, elas devem abordar as manipulações que a ausência dessa sabedoria permite, por meio da disciplina de Sociologia, para conscientizar os estudantes sobre a importância de conhecer a si próprio.