Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 29/05/2020

De acordo com o filósofo grego Sócrates, um indivíduo deve conhecer a si mesmo e concientizar-se de sua ignorância, para que, então, seja sábio. Assim, pode-se inferir que, na contemporâneidade, a falta de autoconhecimento submete o sujeito a influências e manipulações no âmbito digital, de modo a torná-lo dependente das instigações digitais.

Em primeiro lugar, vale mencionar que, ao acessar as plataformas de comunicação, o sujeito está inteiramente exposto a todo tipo de propaganda e conteúdo que, quando usados de modo precipitado, transformam-se em informações potencialmente alienaveis para o usuário. Em um relatório divulgado pela empresa Hootsuite, cerca de 54% dos compradores digitais são manipulados inconscientemente para adquirir o produto, resultado este, atingido través da obtenção dos dados de pesquisa do cidadão, e indução de suas ações.

Ademais, a imposição de um padrão para ser aceito pelos navegadores, tem levado significativa parcela da população conectada a realização de plásticas, e diversos procedimentos estéticos, para se enquadrarem nas normas requisitadas. Com isso, o número de selfies inovadoras aumentam, e as idealizações originam “pessoas falsas”, que se encontram em uma “bolha”, fora de sua realidade e de seu ser humano verdadeiro.

Dessa forma, compete às plataformas sociais, disponibilizarem manuais de prevenção aos ataques e influências cibernéticas, auxiliando, ainda, na proteção virtual do usuário contra golpes e manipulações. Adicionalmente, o Estado deve contratar especialistas em tecnologia e ajuda psicológica, para propagar em escolas e universidades, o ideal de conhecer a si próprio e seu posicionamento individual, por meio de reflexões e exercícios, contribuindo, assim, para a independência moral e obtenção da plena sabedoria, como propôs Sócrates.