Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

Paulo Leminski, com o poema Contranarciso traz à tona a ótica da quebra de uma visão narcísica da vida e mostra a perspectiva do autoconhecimento com maneira de o homem se enxergar enquanto o outro e no outro. Análogo à visão do poeta, o autoconhecimento no século XXI é vital para determinar o quanto somos conhecedores de nossas potencialidades e limitações ante a tanta competição mercadológica na era digital  que nos busca como produtos, mantenedores de uma economia frenética e sempre ávida por estar à frente de nós mesmos nessa corrida para a potencialização de consumo.

De início, diante da inconsistência coletiva dos cidadãos frente às suas próprias potencialidades de autoconhecimento, os veículos de consumo digitais passam a ser um roteiro que dita a maneira de pensar e agir de cada indivíduo. Dessa forma, estudam, passam e repassam de maneira lógica, lúdica e pré-determinada,uma espécie de regra de vida pela qual todos lutam sem, contudo,serem conscientes do que fazem. Viver é, então, uma busca constante pelo que a vaidade e o consumo determinam em um ambiente em que as aparências e selfies valem bem mais do que o prazer de viver e sonhar.

Assim,  inconsciente enquanto pessoa, passa-se a seguir de maneira errante como Chico Bento e sua família na trama de O Quinze de Rachel de Queirós. Busca-se, enfim, o que não se sabe e passa-se, com isso, a aceitar o que  dizem, por não se acreditar, com segurança, nas potencialidades humanas que emanam em cada um. Nesse viés, é de suma importância o questionamento acerca do que se traz como verdade absoluta em meio a tantas incertezas afetivas e emocionais que o próprio mercado digital proporciona. Nessa análise, o homem dito moderno no âmbito digital esvazia-se de si mesmo e passa a aceitar o que é determinado pelo senso coletivo.

É preponderante, por conseguinte, que o homem do século XXI conheça-se como ser e aja como essencialmente humano. Dessa forma, é impreterível a quebra da prerrogativa do ter para ser tornar-se mister nessa trama que só induz ao consumo. Nessa luta e para ela, família e escola devem partir do pertencimento e da empatia como forma de lidar com problemas. Nessa perspectiva, o investimento em uma educação que vise tornar o sujeito mais crítico e sujeito de suas ideias,por meio de palestras que visem estimular o autoconhecimento nas pessoas, afim de que o mundo mercadológico da era digital não faça surgir um indivíduo pautado em ideias abstratas e que não busquem a essência de cada ser.