Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 27/05/2020
“Conhecete-te a ti mesmo”. Essa máxima foi estabelecida pelo filósofo Sócrates, ainda na Grécia Antiga, como fundamental para determinação do caminho em busca da verdade. Atualmente, porém, tal retórica vem sendo lateralizada e negligenciada por grande parte da população Brasileira, posto a desvalorização do autoconhecimento típica da era digital. Devido a isso, efeitos prejudiciais são característicos desse quadro, como a alienação obsedante do cidadão e a fragilidade embutida nas relações humanas.
De início, é importante destacar a correlação compreendida entre a baixa gradação do autoconhecimento pessoal e a alienação presente nos meios digitais. Essa associação decorre à medida que o pouco conhecimento próprio, atribuído pela pessoa, reflete na falta de reflexão e questionamento de saberes aparentes frente a propagandas, anúncios publicitários e discursos mal intencionados propagados no ambiente virtual, de forma que esse consiga consolidar a “Docilização do corpo”, assim designada pelo filósofo Michel Foucault, ou seja, a disciplinarização, tão somente, aos ideais capitalistas de consumo e produção. À luz disso, o cidadão passa a exercer sua vida social, emotiva e econômica tal como um fantoche desprovido de valores éticos e morais a seu respeito, tornando-se, por fim, submisso e alienado.
Além disso, a fragilidade das relações humanas é reflexo da ausência do autoconhecimento pessoal nas redes digitais. Isso acontece, pois a inauguração da vida virtual também trouxe mudanças nos conceitos que englobam a interação humana, tornando-se facilmente assimilidadas à medida que o internauta tem pouco conhecimento de si mesmo, no que diz respeito ao seu subjetivo: princípios, valores e deveres enquanto pensante. À essa nova realidade, o sociólogo Zygmunt Bauman designou de “Modernidade Líquida”, ou seja, uma era em que os ideais frenéticos de efemeridade, contidos nas plataformas da internet, influenciam e moldam os valores, até então, consolidados. Nessa perspectiva, relações, como a amizade, casamento, família perdem sua vitalidade devido a esterilização do autoconhecimento íntimo, de forma a adequá-las conforme meio digital efêmero e robótico.
Em virtude dos fatos mencionados, observam-se efeitos prejudiciais advindos da era digital, devido a negligência do autoconhecimento pessoal do internauta. Assim, Instituições Educativas devem estimular a aquisição de valores práticos na autoconstrução de discentes, por meio de palestras semanais, a fim de consolidarem tais conceitos morais e tornarem-se inquietos perante ao meio virtual. Ademais, a mídia deve incentivar o autoconhecimento ético da população nas plataformas, por meio de mensagens de advertência que visem o resguardo das relações humanas frente à tecnologia frenética.