Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 29/05/2020
Desde o início da expansão das redes de comunicação, o ser humano aproveita os diversos benefícios que, principalmente, a internet permite. Contudo, o mundo digital também traz efeitos negativos, como a falta de autoconhecimento. Nesse sentido, o imediatismo excessivo e a perda de identidade dos usuários são questões que não contribuem para o desenvolvimento pessoal e devem ser evitadas.
É válido notar, de início, que, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual estimula a cultura do imediatismo, uma vez que está acostumada a resolver os problemas de maneira instantânea e sem adversidades. Tais obstáculos são essenciais para ajudar no amadurecimento e na construção pessoal que cada indivíduo, cujas experiências não devem ser desviadas. Por isso, o ser humano da atualidade se mantém conectado às várias possibilidades que a era digital disponibiliza e não se permite encarar o ócio, ou seja, ocupam seus dias como uma espécie de fuga para evitar uma reflexão sobre as questões humanas que incluem a si próprio e enriqueceria seu senso crítico.
Além disso, é possível analisar, também, que o excessivo contato com a internet causa a massificação do pensamento social, já que a Indústria Cultural, analisada pelos filósofos Adorno e Horkheim, tem o objetivo de padronizar os costumes de uma população em prol do lucro de grandes empresas. Nessa lógica, o homem perde sua identidade para seguir o que é imposto pela maioria em detrimento de manter o foco em suas próprias ambições. Essa postura permite que muitas pessoas utilizem as mídias sociais de maneira desonesta, com o intuito de enganar os usuários que não têm autoconhecimento suficiente para detectar as famosas fake news ou falsos profissionais de auto-ajuda, como os couches, banalizados nos dias atuais.
É necessário, portanto, que as instituições educacionais reforcem a importância do autoconhecimento, por meio da introdução mensal de práticas que desenvolvam o senso crítico do aluno com aulas de meditação, por exemplo, a fim de garantir pessoas mais preparadas para lidar com o ócio na era da tecnologia. Além disso, a população mais autoconsciente deve criar um aplicativo chamado de “Desmacarando Fakes”, que sejam administradas por pessoa especializadas, como psicólogos formados, com o objetivo de denunciar possíveis fraudes entre os vários couches presentes na internet e, também, de evitar que alguém se influencie pelas suas palavras e publicidades enganosas.