Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 29/05/2020

Segundo a filosofia socrática, o autoconhecimento é o ponto de partida para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, como refletir, de maneira crítica, sobre o mundo. A partir disso, percebe-se que a Máxima “conhece-te a ti mesmo”, em contraste com a era digital, perdeu a devida importância, visto a crescente descaracterização dos internautas frente à gama de informações. Com base nesse viés, é válido discutir sobre a consequência dessa falta de “conhecimento de si mesmo” contemporâneo nos indivíduos e no corpo social, visto que se caracteriza como um problema universal.

Primeiramente, cabe pontuar o efeito no cidadão. Nesse prisma, conforme a teoria moderna de autoconsciência, o psicólogo Daniel Goleman afirmou que a medida que o indivíduo se conscientiza de si mesmo, torna-se um “avaliador objetivo” da própria personalidade. No entanto, quando existe uma falta desse pilar, ele se torna mais suscetível a transtornos de ansiedade. Coincidentemente (ou não), esse problema psíquico, segundo o relatório da OMS, está cada vez mais presente nos jovens, justamente na faixa etária mais interativa com os meios digitais. Por tal motivo, é visível a importância do autoconhecimento na manutenção da sanidade mental dos que “navegam” pelo mundo das tecnologias, bem como os efeitos individuais perceptíveis no corpo social.

Ademais, é importante ressaltar o impacto na sociedade. Com essa conjuntura, a Organização Mundial da Saúde (OMS) expôs que o Brasil é o país mais ansioso da América Latina. Como consequência, a nação tem gastado mais de 206 bilhões de reais, por ano, com as despesas da depressão no trabalho. Outrossim, a origem desse dispêndio governamental está relacionada com a falta de “consciência de si mesmo” do brasileiro, proporcionada, infelizmente, pelo contato mais frequente com a era digital. Nesse contexto, pode-se afirmar que, se o Brasil quiser reduzir as finanças dessa problemática, deve investir na educação tecnológica dos cidadãos.

Nota-se, pois, a importância de resolver tais impasses. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com a OMS, crie um programa intitulado “Educa consciência”, por meio da contratação de psicólogos com 12 horas de carga horária de trabalho semanal, a fim de educar sobre os princípios do autoconhecimento. Além disso, as Universidades federais devem promover uma campanha nos ambientes de trabalho e escolar, por intermédio de verbas, para que, enfim, o patamar socrático de “consciência de si” seja deslocado, também, para as áreas do mundo digital.