Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

Na música “admirável chip novo” a cantora Pitty retrata a realidade de que humanos, no meio digital, tornam-se máquinas quando enfatiza: “nada é orgânico, é tudo programado”. Essa denuncia feita pela artista demonstra como a falta de autoconhecimento por parte das pessoas tem efeitos negativos na era digital. Essas consequências são a maior facilidade de se manipular os indivíduos e a necessidade de afirmação a todo custo de uma imagem idealizada. Ocasionando, assim, uma sociedade líquida e instável, psicológica e fisicamente falando.

Em primeira análise, a falta de um autoconhecimento por parte da população torna o indivíduo mais facilmente, na maioria das vezes, de tronar-se massa de manobra no mundo digital. Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche, quando o indivíduo não possui bases para se manter, acaba sendo mais vulnerável a se submeter ao “comportamento de manada”. Isto é, abandonar a criticidade e agir, apenas por instinto, como age a maioria da população. Nessa lógica, não possuir um autoconhecimento suficientemente desenvolvido faz com que a pessoa seja mais propensa a ser manipulada por propagandas, influenciadores, população em geral que ocupam lugar na era digital. Dessa forma, o preço a se pagar pela ausência do autoconhecimento na era da tecnologia é o de, muitas vezes, agir no meio virtual com o comportamento de rebanho, agindo de maneira acrítica e “pensando” da maneira que esse espaço determina.

Em segunda análise, a falta de autoconhecimento neste tempo de tecnologia torna a busca por aceitação no meio digital algo ilusoriamente essencial a vida. Essa busca frenética por se adequar a padrões instituídos como “modelos de sucesso”, que é motivada por uma era que vive de aparências, escraviza diversos indivíduos na sociedade contemporânea. A respeito desse processo de desconstrução incentivado pela Era Digital, o cantor e compositor Tiago Iorc traz, na letra de sua música “desconstrução” a ideia de que a pessoa “sai de cena para poder entrar” e que é vestido “um ego que não satisfez” e que “dramatizou o vil da rotina”. Ou seja, mostrou-se ser quem não se era. Diante disso, ocorre uma desconstrução da imagem do próprio ser humano e esse “se estilhaça em cacos virtuais”, como dito pelo artista. Tudo isso ocasionado como efeito de uma ausência de autoconhecimento.

Portanto, para anular os efeitos da ausência do autoconhecimento é necessário que os centros educacionais desenvolvam, por meio de aulas de humanas, linguagens e códigos e debates com sociólogos, um senso crítico no alunado, com o objetivo de que estes não sejam vítimas de manipulação. Junto a isso, a família deve, através de palavras de incentivo e valorização da cultura dos antepassados, afirmar a imagem e a autoconfiança dos mais novos. Dessa maneira, os efeitos serão superados.