Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
As redes sociais dominam a Modernidade, tendo os jovens como seu público alvo, os quais, por estarem na principal fase da vida de autoconhecimento, são facilmente influenciados pelos conteúdos digitais. Dessa forma, na era digital, os indivíduos são incentivados a terem pensamentos, modos de vida e a consumirem o que se é mostrado virtualmente, gerando a padronização de comportamento e, consequentemente, a perda de identidade.
Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo Nietzsche, a sociedade pode ser manipulada a ter suas ações massificadas, ou seja, a seguir um padrão de ideias e de atitudes. Isso é visível na ascenção dos influenciadores digitais, os quais mostram suas vidas nas redes sociais e instigam os seus seguidores a consumirem, agirem e pensarem de forma semelhante a eles. Sendo assim, a maioria das pessoas, principalmente os jovens, que não têm autoconhecimento e seus ideais firmados interiormente são influenciadas através de vídeos, stories, fotos e comerciais a serem, como diz uma expressão popular, “Maria vai com as outras”, isto é, um indivíduo sem personalidade e posicionamentos próprios, o qual é inconstante, conduzido conforme a moda e a opinião da massa.
Ademais, segundo o filósofo Foucault, o ser humano é um corpo dócil facilmente manipulado pela mídia em geral, sendo assim, a falta de autoconhecimento agrava essa situação, principalmente no meio digital, o qual é cheio de propagandas que moldam as atitudes das pessoas e até a maneira como se veem. Isso é notado nos comerciais de produtos de beleza do Youtube, por exemplo, os quais aparecem com grande frequência e geralmente mostram mulheres e rapazes pertencentes ao padrão de beleza da sociedade, estimulando o público a consumir seus produtos para ficarem parecidos com eles, o que incentiva o consumismo e também pode levar à crise na autoestima de várias pessoas diferentes dos padrões, desencadeando inseguranças. Além disso, os internautas também podem ter seus gostos, opiniões, alimentação, posições políticas, estilo de vida, rotina, sonhos e planos influenciados, interferindo na liberdade dos indivíduos de serem quem são, pois são indiretamente pressionados a seguirem personalidades alheias.
Portanto, medidas são necessárias para reverter os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital. A fim disso, o Ministério da Educação deve investir em uma educação que preze pelo autoconhecimento e respeito a diferentes modos de pensar e agir, por meio de palestras e debates realizados por psicólogos e pedagogos nos ambientes educacionais, os quais incentivem os indivíduos, desde cedo, a serem firmes nas suas ideias e a terem opinião própria, porém também respeitando os outros, com o objetivo de garantir a liberdade de cada um de descobrir e ser quem realmente é.