Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 24/05/2020

De acordo com o filósofo renascentista Giovanni Pico della Mirandola, somente os seres humanos podem mudar a si mesmos por meio do livre arbítrio. Essa ideia, no entanto, é quebrada ao se entrar na era digital, já que a falta de autoconhecimento das pessoas as impedem de exercerem sua plena liberdade. Portanto, deve-se analisar a manipulação do comportamento do usuário pela mídia e o o crescente efeito causado pelos olhares da sociedade como consequências do não conhecimento de si.

Em primeira análise, é válido ressaltar que o indivíduo que não conhece a si mesmo sofre grande risco de ter sua atitude e personalidade controladas pelos anúncios e propagandas presentes no meio digital. Isso, porque as empresas midiáticas observam o comportamento das pessoas e ajustam o conteúdo que é exposto para o público em função do seu gosto pessoal, fazendo, assim, com que os produtos consumidos pelo cidadãos sejam fruto da manipulação das instituições. Essa realidade é comprovada pelo fato de que, em 2018, foi descoberto que a rede social “Facebook” cedeu dados íntimos de seus usuários para inúmeras entidades populares. Tal violação da privacidade mostra que a falta de autoconhecimento pode ter consequências negativas no mundo digital, já que os grandes negócios têm o poder de criar uma identidade que os favoreça.

Em segunda análise, é importante salientar que a pessoa inconsciente sobre quem ela é tende a ser mais afetada pela visão que a sociedade tem sobre si, dado que a falta do autoconhecimento faz com que o indivíduo se julgue baseado nos moldes da comunidade. Assim, observa-se que a educação possui papel fundamental tanto no núcleo familiar quanto nas instituições de ensino, já que ela tem a função de formar o cidadão de modo que ele seja capaz de agir de modo livre no meio externo. Apesar disso, nem sempre as escolas e famílias e escolas cumprem o seus papeis, pois, segundo o pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação do Brasil é “bancária”, ou seja, ela dá mais foco ao ensino de conteúdos didáticos do que à conscientização do indivíduo, o que o impede de se libertar dos padrões impostos pela sociedade.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de que mais pessoas conheçam a si mesmas. Para isso, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações impeça a manipulação dos indivíduos pelas grandes empresas. Tal ação deve ser realizada por meio da criação e divulgação de propagandas que alertem a população quanto aos riscos de informar seus dados pessoais nas redes sociais. Ademais, é de suma importância que o Ministério da Educação ajude os estudantes a conhecerem a si mesmos, por intermédio de palestras que convidem alunos e suas famílias a debater sobre o assunto, para que esses cidadãos não sejam mais afetados pela sociedade.