Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 24/05/2020

Para a filosofia socrática, é fundamental o ser humano conhecer a si mesmo, pois esse é o ponto de partida para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz. Sob esse viés, torna-se fundamental, nos dias atuais, o autoconhecimento, sobretudo porque vivemos na era da tecnologia e a ausência dessa autognose pode causar efeitos negativos, tais como: a fácil manipulação do indivíduo no meio virtual e a dificuldade em suas decisões.

Em primeiro plano, no século XXI, a internet tornou-se um “mundo sem fronteiras” , devido à globalização, o que, apesar de seus benefícios, trouxe consigo uma outra faceta, a qual o geógrafo Milton Santos vai denominar “globalização perversa”, essa mostra a fácil manipulação da massa e acentua as diferenças sociais. Nesse sentido, os meios virtuais utilizam essa ferramenta para dar a falsa sensação de liberdade aos internautas, que eles podem decidir o que comprar, quando ao invés disso há todo um trajeto de estudo que busca manipular os usuários para desfrutar do que eles quiserem. Isso se torna mais fácil quando associado a ausência de autoconhecimento da sociedade, a qual se torna incapaz de discernir os seus gostos.

Outrossim, de acordo com a Constituição de 1988, é inerente ao indivíduo a liberdade de expressão e de opinião, bem como decidir suas escolhas. Entretanto, a falta de autoconhecimento no ambiente digital dificulta a tomada de decisões e sucumbe, implicitamente, a posição crítica do usuário, ou seja, o indivíduo passa a não vigorar seus direitos, uma vez que seu conhecimento formacional e informacional é regido, quase que completamente, por conteúdos exteriores, tais como os elementos midiáticos. Esse cenário faz com que o cidadão, com falta de autognose, não entenda melhor quem é ou o que quer, deixando suas preferências a mercê do meio, comprometendo e dificultando suas escolhas.

À luz dessas constatações acerca da falta de autoconhecimento na era digital, portanto, cabe ao Ministério da educação criar mecanismos que facilitem a autognose do cidadão. Isso por meio da criação de cursos onlines e presencias que sejam regidos por psicólogos e psicanalistas que incentivem a independência mental do indivíduo. Ademais, a Anarnet (Agência Nacional de Autorregulação da Internet) deve criar uma maior regulamentação sobre os conteúdos repassados que inflijam o direito do usuário de liberdade e de escolha  e aqueles que visam a manipulação do internauta. Essa medida deve ser vigorada por intermédio da maior fiscalização do ambiente virtual e pela criação de uma plataforma que receba a opinião do cibernético sobre o que é transmitido. Visando, dessa forma, a maior liberdade de escolha e o autoconhecimento social.