Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

Segundo o teatrólogo Nelson Rodrigues, na sua teoria da “síndrome do vira-lata”, as pessoas tendem a gostar mais do vem de fora, ou seja, preferem analisar o próximo, e negligenciam parte da sua própria essência. Entrando no contexto dos efeitos que a falta de autoconhecimento na era digital causam, é cada vez maior a fome das empresas em vender seus produtos e a consequente carência emocional dos compradores também. Ações que, na falta de instrução por parte das famílias e da prática da ética, causada pelas empresas, podem acarretar em sérias e lamentáveis consequências.

Em primeira análise, conforme a teoria da tábula rasa do filósofo iluminista John Locke, o ser humano nasce como uma tábula rasa e sua consciência é criada a partir do seu meio de vivência. Associando essa teoria ao contexto, é possível perceber que a falta de auxílio, por parte das famílias, de como: criar uma boa relação consigo mesmo, principalmente, na parte mental; navegar de forma tranquila pelas mídias digitais e o tipo de assunto a ser consumido por tal membro, incentiva, infelizmente, o aumento do número de pessoas influenciadas negativamente pelas ideias digitais.

Em segunda análise, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, as ações éticas são avaliadas pelo seu caráter categórico, ou seja, devem ser pautadas com o ideal de empatia universal. Ligando ao contexto da louca vontade das empresas em conseguir clientes, a falta de ética pode ser gerada através de anúncios publicitários que manifestam um teor do modo imperativo da linguagem, ou seja, que estimulam o consumo de tal produto ou padrão. Além disso, podem propagar a ideia antiética com o uso de algorítimos, que são tecnologias utilizadas para filtrar e sugerir assuntos de acordo com o gosto do usuário. Essas ações podem colaborar com o aumento da carência sofrida, do estresse, baixa autoestima e ansiedade, situações vividas por muitos navegantes, o que afeta muito o desenvolvimento lúdico dessas pessoas e pode acarretar no que é conhecido como a doença do século: a depressão.

Portanto, fica claro que medidas devem ser praticadas a fim de reduzir os efeitos da falta de autoconhecimento. As famílias devem estimular o conhecimento de si próprio desde cedo, a noção sobre o que é alienação e como não “cair” nas padronizações digitais. Essas ações devem ser feitas por meio de diálogos e gincanas com as crianças, ambas atividades com auxílio de especialistas; o que vai criar uma consciência nos futuros adultos e reduzir o número de influenciados negativamente por essas plataformas. Já o Governo, juntamente com a mídia, deve propagar uma divulgação, de forma ética, pelas empresas e tratamentos psicológicos gratuitos para os prejudicados com tal situação. Esses atos devem ser promovidos através de propagandas educativas, multas aplicadas e consultas com especialistas; o que vai reduzir o número de futuros depressivos e de “vira-latas”.