Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
No conto “Branca de Neve”, a bruxa recorre com frequência ao espelho, através da pergunta: “existe alguém mais belo do que eu?”. Saindo da ficção, percebe-se que indivíduos sem consciência de si têm utilizado os meios digitais como “espelhos” da vida real, a fim de obter afirmações positivas sobre si. No entanto, a falta de autoconhecimento na era da comunicação tem gerado, nos cidadãos, insegurança e falta de autenticidade.
Em primeira análise, cabe salientar a insegurança gerada pela falta de autoconhecimento na era digital. De acordo com o Google, em 2019, a terceira pergunta mais pesquisada no buscador era “como fazer com que as pessoas gostem de mim”, mostrando uma baixa autoestima e dificuldades nas relações interpessoais. Tal fato está intimamente ligado à falta de conhecimento sobre si, o que traz à tona a necessidade de ser justificado pelo olhar do outro. Dessa forma, pessoas estão sempre em busca de se adequar a um padrão social para que sejam aceitas, deixando de lado seu verdadeiro “eu”.
Outrossim, a falta de autoconhecimento na era digital é responsável pela perda de autenticidade e espontaneidade dos indivíduos. Para a psicologia analítica, as pessoas utilizam máscaras sociais, por meio das quais incorporam uma mentira, para si e para os outros, a fim de responder às expectativas virtuais. Dessa forma, o sujeito que ainda não se conhece na sua essência se vale de tal disfarce para formar um “falso eu”, enganando-se sobre sua real condição e mantendo-se na zona de conforto.
Em vista disso, a fim de favorecer o processo de autoconhecimento, cabe ao Governo Federal, elaborar e divulgar um canal virtual, o qual deverá ser integrado por psicólogos, por meio do qual seja possível, aos cidadãos, obterem apoio no que diz respeito às relações interpessoais na internet e sobre a importância do conhecimento de si frente às frustrações, a fim de diminuir a insegurança na esfera virtual. Além disso, cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério do Trabalho elaborar palestras, as quais deverão ser ministradas nos centros educacionais e em empresas públicas e privadas, por meio de uma equipe composta por psicólogos e “blogueiros”, a fim de conscientizar a população sobre o perigo da criação de um “falso eu” na web e a necessidade da autognose na busca por um futuro autêntico. Dessa forma, será possível se livrar dos “espelhos” virtuais hodiernos.