Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 22/05/2020

Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro " O grito " do pintor Edvard Munch. Na elaboração dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferente à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que vítimas da falta de auto conhecimento tem vivido algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por setores da sociedade. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir a falta de autoconhecimento na internet. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta estimular, desde a infância, por meio das escolas, estratégias para o reconhecimento pessoal, para que não haja excesso de influência externa nas opiniões, o que prejudica o direito à liberdade. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido  o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluminista do século XVIII em prol da democracia.

Também, observa-se que o silenciamento social frente à falta d autoconhecimento na internet apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à criação de leis mais rígidas, uma vez que a legislação em vigor, por ser considerada branda, não tem inibido o compartilhamento virtual de dados pessoais entre empresas, comprometendo, portanto, a integridade dos clientes. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes alguns indivíduos tendem a fortalecer uma “espiral do silêncio”, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que o autoconhecimento na internet deve ser promovido. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização sobre a importância de se reconhecer para que não haja coerção social sobre as crenças e opiniões das pessoas. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, a criação de um ordenamento jurídico mais rigoroso que iniba a comercialização de dados na internet. Dessa forma, o “grito” - diferentemente do da obra de Munch - poderia romper o silêncio dos resignados.