Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
De acordo com Augusto Cury, psiquiatra brasileiro, o autoconhecimento é a atitude do ser humano em olhar para dentro de si e saber exatamente quais são as virtudes e os defeitos. Essa ação é fundamental, pois colabora para maior compreensão do caráter individual. Entretanto, no Brasil, a ausência do conhecimento de si mesmo, na era digital, deságua na terceirização da personalidade e no preconceito com o “próprio eu”.
A princípio, todas as pessoas têm pontos fortes e carências que ajudam a definir suas personalidades. Contudo, quando o brasileiro não possui conhecimento desses aspectos, ele pode ser potencialmente manipulado pela indústria cultural. Desse modo, essa instituição, por meio da internet, se aproveita da falta do autoconhecimento para construir um perfil que segue os seus interesses , assim, havendo a terceirização do caráter do cidadão. Isso pode ser explicado pelo sociólogo Adorno, o qual afirma que antenção da mídia de massa é o influenciar nos pensamentos e nas ações do ser humano. Ou seja, o indivíduo se torna um “fantoche” das organizações.
Outrossim, o desenvolvimento do preconceito com si mesmo pode ser consequência da ausência do autoconhecimento na era da informação. Isso ocorre, devido à falsa vida que muitas pessoas mostram nas redes sociais, por meio da exposição exagerada de uma vida perfeita. Dessa forma, o internauta que acompanha esses indivíduos sente a necessidade de ser igual a eles, assim, criando um rejeição do “próprio eu " e deixando de se conhecer melhor. Prova disso é a afirmação do historiador Leandro Karnal, o qual diz que os meios de comunicação virtual viraram uma ferramenta para a competição de quem tem a existência mais impecável. Isso implica dizer que nessa disputa muitas pessoas vezes a pessoa inventa um perfil incoerente com a sua realidade, com a sua verdadeira personalidade.
Portanto, alternativas são necessárias para evitar os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital. Para isso, no Brasil, o Ministério da Educação, para impedir a manipulação da sociedade, deve inserir desde o ensino de base uma matéria que incentive aos alunos a descrever suas qualidades e seus defeitos, com o intuito de potencializar o conhecimento deles mesmos. Além disso, o Ministério da Justiça e da Segurança Público, para diminuir a competição nas redes sociais que não fazem bem para o indivíduo, deve promover campanhas de conscientização em todas os meios de comunicação sobre a importância de ser autêntico, sem criar expôr uma vida falsa, com a intenção de incentivar os brasileiros a não deixarem suas individualidades para se tornarem outra pessoa. Tudo isso, visando o desenvolvimento de uma sociedade que saiba “olhar para dentro de si” e reconhecer suas virtudes.