Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
Segundo o sociólogo Bauman, a sociedade se encontra em “tempos líquidos”, pois se tem uma urgência de tempo em função de uma logica capitalista, a qual prioriza a busca pela ascensão social, e provoca um afastamento das relações interpessoais, tornando-se limitado o tempo do individuo de se autoconhecer. Por consequência disso, tem-se a perda da identidade cultural, e uma maior vulnerabilidade à uma manipulação comportamental.
Em primeira análise, de acordo com o sociólogo Erving Goffman, a sociedade se encontra em um processo de “mortificação do Eu”. Tal premissa se concretiza pela perda do pensamento individual, por influência de fatores coercitivos, e o individuo se junta à uma massa coletiva. Diante disso, em função da falta do autoconhecimento se cria no cidadão, em muitos casos, a necessidade da busca pela aprovação social, e consequentemente a mudança de sua identidade cultural a fim de acompanhar a massa coletiva.
Em segunda análise, segundo o sociólogo Focault, tem-se na sociedade um processo de “docilização dos corpos”. Tal premissa se concretiza pelo estabelecimento de um simbolo de poder maior, dotado de mecanismos de controle e vigilância, na quais possibilitam que ditem normas comportamentais. Junto a isso, a era digital possui grandes ferramentas para o desenvolvimento da sociedade, mas também, carrega varias armadilhas para o bem estar individual, pois varias empresas se utilizam de algoritmos que estudam os usuários, e redirecionam seletivamente os resultados de pesquisas, cria-se assim uma “bolha virtual” para cada individuo. Diante disso, esses métodos de manipulação se tornam extremamente eficientes em função da falta de autoconhecimento do cidadão, pois este se torna passivo e acrítico.
Logo, é fundamental que se tome medidas para redefinir as prioridades sociais do uso do tempo, tornando algo fundamental a construção de um autoconhecimento. Portanto, é necessário que o ministério da educação promova ações que incentivem a autoanálise, desde da formação básica , por meio de um conjunto de normas que tornem obrigatório debates individuais, semanais, do corpo docente com psicopedagogos, a quais conduzam o individuo em uma autoanalise da forma mais eficiente, criando o habito de realizar tal reflexão periodicamente, e possibilitando uma concretização de uma identidade cultural. Além disso, o ministério da educação deve promover ações conscientizadoras acerca da relação direta entre a vulnerabilidade às manipulações digitais com a falta do autoconhecimento, por meio de palestras e debates conduzidos por profissionais da área, visando construir cidadãos ativos e críticos.