Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 25/05/2020

Segundo o filósofo Michel Foucalt, em seu livro “vigiar e punir”, entende-se por “corpo dócil” aquele que pode ser facilmente manipulado, administrado, transformado a gosto dos mecanismos de poder. Nessa conjuntura, na era digital, esse cenário é um reflexo dos efeitos da falta de autoconhecimento, no Brasil, uma vez que esse assunto é pouco discutido e compreendido por boa parte da sociedade brasileira. Dessa forma, é necessário analisar a manipulação e a desinformação frente a essa problemática, a fim de minimizar inúmeros descasos.

A priori, a expressão popular “Maria vai com as outras” é usada para se referir a um indivíduo que demonstra não ter opinião própria e incorpora padrões sociais impostos culturalmente. Nessa lógica, esse comportamento na era digital é um reflexo da falta de autoconhecimento do ser humano, visto que um dos efeitos desse impasse é a manipulação populacional brasileira. Desse modo, essa ferramenta de “docialização”, juntamente com as inovações tecnológicas, tendem a persuadir seus usuários, muitas vezes, de forma negativa para fomentar, por exemplo, com governos totalitários, a partir de informações pré-selecionadas e massificadas. Assim, é indubitável a necessidade do autoconhecimento, uma vez que sua pratica contribui para relações humanas de qualidade, consequentemente uma sociedade justa e igualitária.

A posteriori, segundo a socióloga Hanna Arentd, em sua teoria da banalização do mal, afirma que em resultado da massificação da sociedade, se criou uma multidão incapaz de fazer julgamentos morais, razão porque aceitam e cumprem ordens sem questionar. Dessa forma, a desinformação caracteriza-se como um dos perigos da falta de autoconhecimento na era digital, visto que boa parte da população brasileira não compreende os riscos da “terceirização” do conhecimento. Isso porque, muitas vezes a família e as instituições de ensino não estimulam desde cedo as crianças e adolescentes a conhecerem a “si próprio” e sobre a importância do autoconhecimento para uma melhor interpretação de informações. Desse modo, atualmente, no Brasil, o descaso com esse fator tem gerado a formação de indivíduos com uma formação educacional precária e desinformada.

Portanto, para minimizar os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital, no Brasil, é necessário que o Ministério da educação, juntamente com as instituições de ensino busque, por meio de palestras semanais, mostrar ao aluno a importância do autoconhecimento para a formação de um indivíduo ético e pensante para um futuro mercado de trabalho. Nesse sentido, essa pratica deve ser de maneira lúdica, com apresentação de livros e filmes que possam ajudar o aluno a desenvolver o hábito da busca por conhecimento, assim, será minimizado os problemas da falta de autoconhecimento.